quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Dia mundial sem carro


22 de setembro. Dia mundial sem carro.

O Dia Mundial Sem Carro é um movimento que começou em algumas cidades da Europa nos últimos anos do século 20, e desde então vem se espalhando pelo mundo, ganhando a cada edição mais adesões nos cinco continentes. Trata-se de um manifesto/reflexão sobre os gigantescos problemas causados pelo uso intenso de automóveis como forma de deslocamento, sobretudo nos grandes centros urbanos, e um convite ao uso de meios de transporte sustentáveis - entre os quais se destaca a bicicleta.


A bicicleta é um excelente meio de transporte, sobretudo para pequenas distâncias. Leva seu condutor de porta em porta, permite a prática de uma atividade física simultânea ao deslocamento, tem custo baixíssimo e é minimamente afetada por engarrafamentos. Mesmo numa cidade de relevo acidentado como Belo Horizonte, a atual tecnologia de marchas permite a circulação por ruas inclinadas com relativa facilidade. Muitas pessoas têm percebido isso e o número de ciclistas nas cidades tem aumentado visivelmente.*


Enfim, ande, vá de bike, de ônibus, jangada, helicóptero, jegue, avião, disco voador, sei lá, mas por favor, curta a paisagem, sorria para as pessoas, sinta o vento no rosto, utilize caminhos diferentes e tente não ir de carro. Se não dá, que tal um pouco de consciência coletiva? Caronas, por exemplo? Muita gente mora perto de você, ou mesmo no prédio, e vão, às vezes, para os mesmos lugares. É tudo uma questão de zona de conforto...


Só um dia pode não ser nada. Ou pode ser o começo para uma grande mudança. Eu tô fazendo a minha parte. E você? E só para fechar com chave de ouro, as fotos abaixo foram feitas na cidade de Müster, na Alemanha e mostra um grupo de 54 pessoas (uma sala de aula da Unifor, por exemplo...) e o espaço que elas ocupariam de carro, a pé ou de bike. Acho que dá pra chocar, né?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Trechos do Diário (2): ensino em Sinthiouroudji

Morei 3 anos no Senegal, mais precisamente em uma aldeia no extremos sul do país chamada Sintiouroudji. Certa vez estava passando próximo a uma pequena escola (as escolas nas aldeias, normalmente, são todas feitas de palha sustentada por bambus) e, ao ouvir o professor fazer uma pergunta para a classe, fiquei espantado ao ver que todos os alunos se prontificaram para responder.

Uau! Esse professor deve ser muito bom. Que sensação gostosa e que satisfação de poder ter toda a classe assim, tão "ávida" por conhecimento! E assim, em uma dessas vezes em que passava por perto, decidi, com a permissão do professor (seu nome era Mr. Ndiay), entrar e assistir um pouco da aula.

Logo entendi tudo! Ele dava aula com um pedaço de pau na mão. Ao fazer uma pergunta, quem não quisesse responder seria por não saber logo, apanharia. E quem levantasse o braço para responder e respondesse errado, apanharia também. Solução das crianças para apanhar menos? Todos levantam o braço na esperança de não serem chamados...

Obviamente não foi fácil pra mim ver aquilo. As crianças levando pauladas no rosto, chorando enquanto voltavam para seus lugares. Minha primeira reação foi levantar e abordar o professor com certa autoridade até, mas para ele, aquilo era algo perfeitamente normal. Pensei logo nos pais. Como reagiriam se soubessem? Será que eles não se juntavam para resolver esse tipo de coisa e eles mesmos dessem uma surra no Mr. Ndiay, de preferência com o mesmo pedaço de pau que ele batia nos filhos deles?!

Mas aí eu descobri que existem barreiras culturais. Até certo ponto consigo e devo "interferir" em uma outra cultura e aquilo para eles, seja para o Mr Ndiay (e todos os outros professores), para as crianças (sim, elas eram acostumadas. Na verdade, só paravam depois de apanharem) ou para os pais (certa vez os pais me deram um pedaço de pau para acalmar os filhos deles que estavam muito bagunceiros enquanto eu os ensinava em uma escolinha de basquete...). Enfim, para o contexto daquela região, era perfeitamente normal! Mas vai fazer isso aqui no Brasil...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Estranhamento de si mesmo...


No meu aniversário de 19 anos, meu primeiro fora de casa, estava deitado no andar de baixo da beliche do seminário, com a cama rangendo e se mexendo toda a cada virada do baiano de 2m que dormia na cama de cima, peguei meu discman (ainda existia isso!) e, ao som de Switch Foot, tive minha primeira experiência de "estranhamento" de mim mesmo.

Tinha sido um dia interessante, com os parabéns e coisas parecidas, algumas ligações (agora bem reduzidas, já que eu não poderia ter celular e nem dava pra ficar esperando me ligarem ao lado de um orelhão..), um presentinho ou outro, cartas, etc. O que acontece é que, no final de tudo, quando deitei, pela primeira vez pensei em que eu era. Não aquela coisa filosófica, de "quem sou eu, quem eu sou", mas algo ingênuo, até, mas muito sincero. 

Nesses 19 anos, quem o Diogo tinha sido? Pra ele mesmo? Pras pessoas ao redor? Que tipo de cristão? De filho? De irmão? De amigo? De namorado? De companheiro? De confidente? De servo? De estudante? De esportista? De companhia? E a lista pode continuar por aí... não sei quantos fazem isso, mas eu aprendi a importância de fazer essa "revisão" da vida ao menos essa vez, bem no aniversário, rever algumas coisas, repensar em outras, relacionamentos, sonhos, planos, realizações...não como aqueles votos de ano novo, com as roupas brancas, como folhas prontas a serem reescritas, pra ver se faremos certo dessa vez. Nada de idias utópicas ou coisa assim. Simplesmente eu olhava pra mim? Sabe quando o Maximus fala no Gladiador: "O que fazemos em vida, ecoa pela eternidade"? 

O que realizei nesse último ano? O que tenho construído? Que relacionamentos tenho cultivado? Que valores tenho buscado? De vez em quando é bom dar uma parada, por menor que seja, antes que a gente ande muito rápido pra enxergar alguns detalhes fundamentais. Colocar uma cadeira do lado de fora, colocar uma musiquinha e se permitir "estranhar-se um pouco". Por que não?

"Quero poder dizer, no final da minha vida, combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé!" II Timóteo 4.7

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Trechos do Diário - "crianças na lua"

Como muitos sabem, vivi um tempo na África. Mais precisamente, no Senegal. Mais precisamente ainda, no "reino" de Sinthiouroudji. Se quiser ver um pouco do contexto, dá uma olhada em algumas fotos: No Reino de Sinthiouroudji
E a ideia aqui é colocar algumas "notas culturais", coisas que vi, vivenciei, escrevi nos meus diários, etc..
E, pra começar, uma pequena nota sobre as noites de lua cheia na aldeia, direto do meu diário:

Sinthiouroudji - 29/03/07,
"Uma coisa interessante é como as crianças se divertem com pouco...não tem nada e daí qualquer coisa pode virar um presente, seja um band-aid (ainda vou contar essa aqui...), uma caneta, um remédio, pedaço de papel, etc...Mas tem uma coisa que as diverte mesmo é a lua. Chamo de "dança da lua" que, na verdade, não é só dança. Simplesmente, quando a lua está cheia, tudo fica bem claro (e não tem prédios, carros ou luzes pra ofuscar...), todas as crianças e adolescentes da aldeia saem e ficam juntas.


As meninas, normalmente, dançam. Os mais novos ficam correndo, fazendo "pega-pega", lutando, rolando no chão e, sobretudo, pertubando as meninas que dançam. Os meninos mais velhos ficam sentados em um pedaço de tronco de árvore morta, às vezes fazem fogueira, cantam, tomam chá...é bem legal, bem africano. Na verdade, fico me sentindo em um filme quando vejo isso. E eles ficam lá até 3h ou 4h da manhã. 


Mas também, pudera: essa crianças nascem nesse contexto, sem água encanada, sem energia, sem interruptores, computadores, tomadas, celulares, brinquedos... e a lua chega pra dar um pouquinho de cor a esse mundo preto e branco. E a gente fica junto, dançando ao redor de uma fogueira (ou só de um pouquinho brasa mesmo), eles cantando e eu tentando aprender cada palavra...


E aqui aprendo a valorizar algo que não valorizava tanto: a luz do luar".

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Livro: Um Dia


Namoro à distância. Por pior que seja, por mais maluco que você vá me chamar, mas eu namoro à distância há quase 1 ano e tem sido maravilhoso! A Mari é tudo o que eu havia pedido a Deus e um pouquinho mais. E, mesmo que sejamos "feitos um para o outro", temos que dar um jeito de driblar a distância, certo? E um desses jeitos é ler. Isso, lemos juntos. O mesmo livro. Ela lá em São Luis e eu aqui em Fortaleza. Daí, de quando em vez, trocamos uma mensagem ou outra, comentamos o livro, dizemos impressões, etc...e isso deixa o namoro um pouco menos distante, menos "virtual"(e isso me lembra que eu devo fazer um post sobre Namoro à Distância, pra você que passa por isso, já passou - e é traumatizado(a) -, ou só tem preconceito mesmo). Agora, por que estou falando disso?

Por que o livro dessa semana no Poeira é o "Um Dia" e foi o último que lemos. E, como estou meio romântico ultimamente, carente e etc, decidi colocar aqui um pouco dele. Um romance romântico. "Vinte anos, duas pessoas, um dia". Muito bom mesmo! Se você tem preconceito com romances românticos, ou acha que psicólogo só pode ler livros de Psicologia, pastor, de Teologia e fãs do Restart, Crepúsculo, é bom rever seus conceitos!

Enfim, dá uma passadinha na Li um dia desses... e veja por que recomendo esse livro!

domingo, 4 de setembro de 2011

O dia que decidi pedalar...


Terça-feira, 17h45min, na Praça do Ferreira, no centro da cidade de Fortaleza. Trânsito. Tudo parado. Ou movimentado demais. Carros, motos, ônibus, topics e pedestres disputando um pouco de espaço na confusão. E eu precisando chegar na Unifor, outro lugar sempre cheio de tudo isso, e que distava 10km do meu lugar original. Como fazer isso? Será que eu estava condenado a passar 1h30 no trânsito?! A resposta: NÃO!

Vá de bike. Simples assim. Não dá pra explicar a sensação gostosa de poder passar por entre as fileiras de carros parados que mesmo com os sinais verdes, eles não podiam andar. Todos conhecemos o trânsito e como é chato ficar parado. Não dá pra fazer nada direito. Só esperar! E eu, com a minha bicicleta, ouvindo música com um fone (sempre é importante deixar uma "orelha livre"...nunca se sabe de onde vem uma buzina, né?), fazendo exercício, chegando cedo em casa. Que paraíso! Não há nada que pague passar tranquilamente por uma fila de carros parados, ter 360 graus de visão, poder olhar o chão, o céu, notar casas, pessoas, cheiros, sons, o vento no rosto!

Aprendi a depender de uma bicicleta na África. Tudo tínhamos que fazer de bike. E, ao voltar ao Brasil, resolvi que queria também ter uma, pedalar de vez em quando, etc. Mas eu morava longe dos meus compromissos e era inviável ficar só com a bicicleta, com uma mochila nas costas para o dia inteiro. Simplesmente não dava. E assim fui me tornando cada vez mais uma vítima do trânsito (como, imagino, muitos de vocês!).

Mas aí me mudei! E vendi meu carro! E assim a vida tem continuado. Mais saudável. Menos estressada (acreditem, o trânsito conseguia me tirar do sério..constantemente!). E podendo gozar da sensação de estar "fazendo a minha parte", sendo sustentável, sendo "carbon free". Sou um adepto do movimento Vida Simples. Economizar papel, descartáveis, água, sacolas, etc...Não vou mentir que muitas vezes dá preguiça de sair, mas depois que saio, começo a pedalar, vejo os carros parados, o trânsito, batidas, etc, me sinto disposto e motivado de novo!!

Esse movimento tem crescido cada vez mais. Pessoas em todo o mundo tem deixado seus carros em casa e ido de bicicleta. Isso é muito claro aqui em Fortaleza. Esses passeios noturnos, os "night bikes", acontecendo praticamente todo dia (apesar da falta de ciclovias, dos motoristas mal-educados, etc). E escrevo aqui pra tentar motivar você a largar seu carro ao menos uma vez na semana e ir de bike ou a pé. Tem as dificuldades sim, mas é a vida. E se nós estamos dispostos a fazer alguma mudança, temos que estar dispostos a pagar alguns preços.

Muita gente reclama que não tem como pedalar na cidade por que é muito perigoso, não tem estrutura, os motoristas não respeitam, etc. E isso, de fato, é verdade. Mas e aí? O que acontece é que enquanto as pessoas não forem pedalar, não forem batalhar por seu espaço nas ruas, ninguém vai mudar, os motoristas não vão se educar, as ciclovias não serão construídas...alguém vai ter que ceder nessa história e, infelizmente, os ciclistas ainda são minoria!

Aqui vai um apelo. Se você não topa ir de bike, acha besteira, falta do que fazer, é mais fácil pagar uma academia, etc, tudo bem, mas ao menos colabore para o respeito com os ciclistas. Estou só de bike há pouco mais de 2 meses e em todo esse tempo nunca, digo NUNCA, nenhuma vez sequer, recebi um gesto de gentileza. Sempre as pessoas são grosseiras, buzinam, gritam pra eu "arranjar o que fazer" (acham que por que se está pedalando, não se está indo ao trabalho, por exemplo..), jogam o carro em cima de mim pra desviar de buracos, etc.

Lembram do profeta Gentileza, pois é: GENTILEZA GERA GENTILEZA. Isso serve pra tudo! Que tal começarmos a praticar um pouco mais do que a gente prega, de seres humanos que relacionam-se com outros seres humanos. Por que não dividir?

Abaixo tem uma reportagem mostrando o percurso de casa para o trabalho em SP:


Ir de bike é massa! Economia de tempo, dinheiro, menos stress no trajeto, mudança no humor, melhora da produtividade no trabalho, não coloco a vida das outras pessoas em risco, não poluo o ar dos meus (futuros) filhos, saúde e vida longa, sensação de liberdade, etc... quer entender melhor? Dê uma chance a si mesmo e tente!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Nova seção no Poeira!!



Inaugurando aqui uma nova seção! Essa eu devo a uma conversa que tive com a minha namorada linda e meu sogro gente boa (!!) lá em São Lulu! 


Lembram que eu havia comentado o quanto eu gostava de ler? Só pra refrescar a memória, aqui vai um pedacinho do primeiro post do Poeira:


"Nunca gostei de escrever. Quando criança, lia muito, livros paradidáticos, gibis da Turma da Mônica... mas escrever, produzir alguma coisa, não. Lia por que me era conveniente. Dava pra fazer em posições, digamos, preguiçosas. Sentado, deitado, de cabeça pra baixo, no ônibus, avião, carro, na beira da piscina, com lanterna, abatjour, velas, etc... enfim, ler é muito mais fácil!"


Pois é, como eu gosto "qui só" de ler, decidi colocar a seção "LI UM DIA DESSES..." que vai falar justamente de alguns livros que li. Sinopses, críticas de alguns dos meus "momentos literários"! E vou tentar ser o mais eclético possível nos posts, um pouco de leitura cristã, romances, psicologia, técnicos, fotografia, etc...pra ficar mais abrangente, ok?


Então, espero que isso te ajude a encontrar alguns bons livros (ou te mantenha afastado de outros). E, como sempre, aceitanto críticas e sugestões. Se eu não tiver lido ainda, prometo que lerei e posto alguma coisa sobre e se você tem lido algum muito bacana, me manda uma resenha ou um resumo da tua crítica que também entra no Poeira na Janela!!


E, pra início, vou começar com três:
- a Bíblia (sempre, minha favorita!)
- Crime e Castigo (do Dostoiévski...clássico!!)
- Cartas a um jovem Terapeuta (do Caligaris...terminei domingo!)


Confiram semanalmente um novo livro por aqui e boas leituras!!