Sei que tenho andado meio ausente aqui do Poeira, mas pretendo retornar com todo gás em janeiro, assim, desculpe. De verdade. Mas já estou preparando umas coisas legais aqui pra o início de 2012, ok? Mas que tal um de despedida?
Não sei quem já reparou no meu "versículo de rodapé dos emails", o II Tim 4.7. E sempre que eu penso em novos desafios, lembro disso, lembro do nosso Senhor vindo pra nos buscar, nos procurando e dizendo: "Servo bom e fiel...MISSÃO CUMPRIDA!". E eu quero ser digno disso! Por mais difícil que seja a missão, por mais duras que sejam as tempestades, ou por mais frágil que seja o barco, o importante é quem temos ao nosso lado, é saber com quem podemos contar, e que juntos podemos olhar pra cima!
Sem necessidade de procurar muito longe, cada dia temos um desafio novo e, se pararmos pra pensar, um mimo novo, vindo diretamente do Senhor. Em 2011 fizemos muita coisa, vidas foram transformadas, capacitadas, aprendemos a mudar algumas coisas, repetir outras, a perdoar, ser perdoado, a recomeçar...e que venha 2012! Não com listas e listas de coisas pra começar, mas uma coisa de cada vez, bem no centro da vontade do Senhor, pra que a gente possa dizer juntos, no final da nossa vida, que "combatemos o bom combate, completamos a corrida e guardamos a fé"! Maranata!!
Será que muitas vezes não queremos Deus só até onde nós "curtimos"? Será que não esperamos de Deus só o que nos agrada ou faz sentido pra nossa cabeça? Será que, às vezes, não fazemos dEle um "Deus de bolso", onde sabemos onde Ele está, como usá-Lo, quando usá-Lo, etc?! Será que Ele não tem muuuuito mais?
Chega de ser cristão só de "carteirinha". Chega de viver Deus só entre 4 paredes, esquecendo do campo, que está branco, só esperando!! Chega de ser MORNO! Chega de ficar ridicularizando o evangelho com atitudes insensatas e carnais! Que tipo de cristãos temos sido nós, que não brilham, não são sal, não fazem a diferença?!Está na hora de sermos o que Deus nos chama pra ser!
Assim você, cristão verdadeiro, não santo ou "certinho", mas que busca no alvo certo, que quer ser guiado pelo Senhor, que entende que temos um papel a cumprir, por favor, BRILHE! Seja benção! Grite o evangelho com a sua vida! E não só na sua faculdade, colégio, trabalho, sua casa ou no meio da rua, mas na igreja também! Que o amor que temos uns pelos outros mostre que somos discípulos do Senhor (João 13.35). Pense em Neemias, José, Paulo, Daniel, Josué e tantos outros...e tenha força para pedalar na contramão, sabendo que "não somos nós que controlamos o nosso guidão"! - (pra citar o Crombie)
E aí, talvez, só talvez, a gente possa dizer como como Paulo: "combatemos o bom combate, completamos a corrida, guardamos a fé!".
"Les utopies apparaissent comme bien plus réalisables qu'on ne le croyait autrefois. Comment éviter leurs réalisation définitive?"
Essa citação de Nicolas Berdiaeff dá um bom início do que podemos esperar do romance de Aldous Huxley. Uma utopia que, afinal de contas, nem o é tanto assim, pouco tempo depois.
O ano é 632 d. F., depois de Ford. Nessa sociedade, todos vivem sob o imperativo da felicidade. São divididos em castas: Alfas, Betas, Gamas, Deltas e Ípsilons. As duas primeiras, compostas de indivíduos únicos, mas as restantes passam por um processo que divide seus embriões e produz cerca de oitenta pessoas iguais. Tudo isso pra que, trabalhando juntos, haja um sentido de identidade entre eles. Aliás, esse nascimento e criação dos indivíduos é bastante detalhado no livro; esses processos que servem como base para a "geração" da nova sociedade, onde o sentimentalismo é deixado de lado e as técnicas e vida especializada é o que mais importa.
Não existem relacionamentos duradouros. Como já diziam os Tribalistas, "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem!". Todos são orientados a terem vários parceiros, e aqueles que não obedecem essa regra, ou mesmo a estranham, são escanteados. A promiscuidade é regra para todos. O romance de Huxley narra um futuro sem famílias, democracias, cristianismo ou arte.
E esta nova civilização, baseada em condicionamento, com frases e respostas prontas pra tudo, traz também um personagem presente em quase todas as situações e acontecimentos da história: o SOMA, uma espécie de droga que serve como ponto de fuga para os problemas, angústias, anseios, tristezas, enfim, as coisas sentimentais da vida pessoal. Qualquer dúvida e incerteza é rapidamente aplacada com o consumo dessa "pílula da felicidade instantânea", sem efeitos colaterais e perfeita, vindo na dose certa para o seu problema. Há um curto intervalo de tempo entre o desejo e sua satisfação.
A trama se desenvolve quando Bernard se sente incomodado com sua posição e em uma viagem de "turismo", vai conhecer a Reserva dos Selvagens, onde "tribos" de indivíduos ainda vivem segundo os tempos antigos. As pessoas envelhecem; não existem as cirurgias de embelezamento; os laços familiares são presentes; fica-se feliz, mas também ficar triste é normal, e ninguém precisa recorrer ao SOMA; as mulheres cumprem sua função de reprodutoras e os bebês realmente nascem lá; ainda se pode falar do passado, aliás, deve-se falar e aprender com o passado.
Lá, Bernard conhece Linda, uma mulher que se perdeu havia muito tempo lá e já se acostumara a viver como eles, e seu filho John. Bernard resolve levá-los para a "civilização" pra mostrá-los como era algo maravilhoso! Mas não deu muito certo. Linda passou a viver mergulhada no SOMA, até vir a falecer, enquanto o John, tratado sempre como "Selvagem", passa a trazer fama a Bernard, que o exibia como se fazem com os animais no circo. E as pessoas queriam ver. Como era um selvagem? Como seria alguém que vivia lá fora? Tão longe do que é "certo"?
Mas John não consegue se acostumar com tudo aquilo. Tem algo errado! Onde estão as vontades? Os desejos? As lágrimas? As gargalhadas? As lutas? E as conquistas? Quando esse povo civilizado deixou de ser humano? E John resume tudo em um incrível diálogo no final do livro:
"Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado [...] reclamo o direito de ser infeliz!"
Admirável Mundo Novo é um clássico sobre o controle, o futuro e a liberdade, e é de se impressionar que uma ficção publicada em 1932 em tão pouco tempo beira à realidade. Quais são os SOMAs dos nossos dias? E o processo de alienação, com a televisão, cinema, músicas ou revistas? E a nossa cultura fast-food, buscando sempre prazeres imediatos? Nos dizem o que vestir, com quem andar, o que falar, o que assistir, o que comer, moldamos nossos corpos, casamos e descasamos, transamos sem nem perguntar o nome e nossa concepção de amor se resume às comédias românticas. E o pior: não nos incomodamos! Estamos acostumados. Cauterizados.
Levantemos! Façamos alguma coisa. Sejamos sustentáveis. Sejamos gentis. Valorizemos nossos pais. Valorizemos bons livros. Arte. Poesia. Vamos a museus e galerias. Vamos, de fato, buscar conhecer a pessoa que beijamos. Casamento é coisa séria! Chorar e cair, mas levantar e conquistar o direito de poder rir de novo! Talvez a sociedade utópica criada por Huxley não seja mais tão utópica assim. E aí? O que você tem feito? Vai se acostumar com o SOMA, ou gritar por LIBERDADE?
Domingo, 13h. No meio de uma grande avenida em Fortaleza, Ceará, um entregador de panfletos (daqueles que ficam no sinal) estava estendido no chão, logo após ter sido atropelado por uma picape que entrou onde não devia, por dizer que no domingo "é mais tranquilo" e dava pra fazer aquilo...isso, com um sol de rachar e panfletos voando...E eu estava indo almoçar em um restaurante próximo quando vi a cena. QUE RAIVA! É um sentimento que me toma, me dá vontade de ir até o motorista petulante do carro e passar com o carro dele por cima! Por que ele acha que pode fazer o que quer? Por que muitos de nós o achamos? Não é assim muitas vezes no trânsito? E com as nossas finanças? E nos relacionamentos? Quem nos disse que somos especiais? Melhores do que os outros? É por pagarmos um IPVA mais caro, é?
Quando me veio aquela raiva e eu imaginei várias cenas grotescas na minha cabeça, consegui me controlar e tirar alguma lição daquilo. Existem formas e formas de se manifestar. De querer "fazer a diferença". Posso sair esmurrando tudo e todos ou posso encontrar uma alternativa mais saudável e mais duradoura de protesto. Já vimos os que passam fome em protesto; vão às ruas; xingam; panfletam. largam o carro e vão de bicicleta; pregam cartazes, etc. A questão aqui é: de que forma você tem procurado lidar com as coisas que te angustiam? Tomemos o vídeo que postei no começo. Quando paramos pra pensar, não faz sentido? Agora, vamos agir. Não só compartilhar, mas no mínimo constranger a pessoa que você vê que parou na vaga de deficientes ou idosos...
Vemos no Facebook todas as manifestações sobre os professores, ou os políticos, ou correntes de email sobre crianças que precisam de dinheiro pra alguma cirurgia impossível e nós vamos compartilhando, encaminhando, e só. Vamos nos levantar, fazer a diferença, aproveitar nosso potencial, nossos contatos, pegar o que nos traz angustia e transformar em um catalizador. Levantar a bandeira de algo que você, de fato, vista a camisa.
"Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça..." (Mateus 5.6) e não ficam só olhando as coisas acontecerem. Tenho certeza que tem uma boa obra bem ai do seu lado, com seu nome escrito, pronta pra ser realizada por você. E como dizia Amaury Fontenele: "Mas fazê o quê? Tem tanta coisa errada, mas fazê o quê?! Descruzar os braços só pra começar..."
Quando estava no seminário preparativo para a África, dentre outras coisas, a nossa alimentação era, de certa forma, bem controlada. No nosso almoço, por exemplo, os homens só podiam comer 350g e as mulheres, 300g. Não que fossemos passar fome na África, mas porque seria bem menos farto e diversificado e, como estávamos em um treinamento, precisávamos nos acostumar. Então, nada de guloseimas, lasanhas, sorvetes, calzones, pizzas, tortas, etc. Era bem controlado (essa questão da alimentação, por sinal, foi algo especialmente difícil. Algumas vezes, com fome, me pegava imaginando mordendo um misto quente e puxando o queijo que vinha entre os dentes, enquanto salivava...).
Enfim, em setembro de 2005, no meu aniversário de 19 anos, meus pais foram me visitar no seminário e aí eles conseguiram furar alguns "cercos" e mesmo quebrar algumas regras na época e levaram não só eu, mas os meus outros amigos Radicais (15 pessoas) para sair. Onde? Pra um rodízio de pizzas!! Meu Deus! Como ficamos felizes!! E que presente aquele! Matar a saudade dos pais e, ao mesmo tempo, matar a saudade de comer pizzas!!
Tempos depois, eu já estava no Senegal há quase 2 anos, meus pais foram me visitar de novo. Viram um Diogo diferente, fisicamente, espiritualmente, psicologicamente, cognitivamente... (os detalhes dessa visita eu conto no meu livro que está em "fase de construção"...). E ao levá-los para a aldeia, pedi para as mulheres fazerem o Maffet ("grosso modo", pedaços de carne no molho de amendoim, banhando o arroz com batatas). Pra mim, de longe, era o melhor prato que eu comia lá! Negócio de festa! Maravilhoso! Eu, literalmente, lambia todos os dedos ao final da refeição! E eu queia oferecer isso aos meus pais e minha irmã. Pra quê?
E aqui vai mais um lembrete que aprendi na "marra": valorizar cada fatia de cada coisa que se come! Não desperdiçar. Não exagerar. Lembrar do outro não é necessariamente passar fome com o outro, mas comer reconhecendo a benção que é cada mordida, cada gole, cada mastigada e ser mordomo disso, cuidar daquilo que se tem e, podendo, compartilhar também.
O Dia Mundial Sem Carro é um movimento que começou em algumas cidades da Europa nos últimos anos do século 20, e desde então vem se espalhando pelo mundo, ganhando a cada edição mais adesões nos cinco continentes. Trata-se de um manifesto/reflexão sobre os gigantescos problemas causados pelo uso intenso de automóveis como forma de deslocamento, sobretudo nos grandes centros urbanos, e um convite ao uso de meios de transporte sustentáveis - entre os quais se destaca a bicicleta.
A bicicleta é um excelente meio de transporte, sobretudo para pequenas distâncias. Leva seu condutor de porta em porta, permite a prática de uma atividade física simultânea ao deslocamento, tem custo baixíssimo e é minimamente afetada por engarrafamentos. Mesmo numa cidade de relevo acidentado como Belo Horizonte, a atual tecnologia de marchas permite a circulação por ruas inclinadas com relativa facilidade. Muitas pessoas têm percebido isso e o número de ciclistas nas cidades tem aumentado visivelmente.*
Enfim, ande, vá de bike, de ônibus, jangada, helicóptero, jegue, avião, disco voador, sei lá, mas por favor, curta a paisagem, sorria para as pessoas, sinta o vento no rosto, utilize caminhos diferentes e tente não ir de carro. Se não dá, que tal um pouco de consciência coletiva? Caronas, por exemplo? Muita gente mora perto de você, ou mesmo no prédio, e vão, às vezes, para os mesmos lugares. É tudo uma questão de zona de conforto...
Só um dia pode não ser nada. Ou pode ser o começo para uma grande mudança. Eu tô fazendo a minha parte. E você? E só para fechar com chave de ouro, as fotos abaixo foram feitas na cidade de Müster, na Alemanha e mostra um grupo de 54 pessoas (uma sala de aula da Unifor, por exemplo...) e o espaço que elas ocupariam de carro, a pé ou de bike. Acho que dá pra chocar, né?
Morei 3 anos no Senegal, mais precisamente em uma aldeia no extremos sul do país chamada Sintiouroudji. Certa vez estava passando próximo a uma pequena escola (as escolas nas aldeias, normalmente, são todas feitas de palha sustentada por bambus) e, ao ouvir o professor fazer uma pergunta para a classe, fiquei espantado ao ver que todos os alunos se prontificaram para responder.
Uau! Esse professor deve ser muito bom. Que sensação gostosa e que satisfação de poder ter toda a classe assim, tão "ávida" por conhecimento! E assim, em uma dessas vezes em que passava por perto, decidi, com a permissão do professor (seu nome era Mr. Ndiay), entrar e assistir um pouco da aula.
Logo entendi tudo! Ele dava aula com um pedaço de pau na mão. Ao fazer uma pergunta, quem não quisesse responder seria por não saber logo, apanharia. E quem levantasse o braço para responder e respondesse errado, apanharia também. Solução das crianças para apanhar menos? Todos levantam o braço na esperança de não serem chamados...
Obviamente não foi fácil pra mim ver aquilo. As crianças levando pauladas no rosto, chorando enquanto voltavam para seus lugares. Minha primeira reação foi levantar e abordar o professor com certa autoridade até, mas para ele, aquilo era algo perfeitamente normal. Pensei logo nos pais. Como reagiriam se soubessem? Será que eles não se juntavam para resolver esse tipo de coisa e eles mesmos dessem uma surra no Mr. Ndiay, de preferência com o mesmo pedaço de pau que ele batia nos filhos deles?!
Mas aí eu descobri que existem barreiras culturais. Até certo ponto consigo e devo "interferir" em uma outra cultura e aquilo para eles, seja para o Mr Ndiay (e todos os outros professores), para as crianças (sim, elas eram acostumadas. Na verdade, só paravam depois de apanharem) ou para os pais (certa vez os pais me deram um pedaço de pau para acalmar os filhos deles que estavam muito bagunceiros enquanto eu os ensinava em uma escolinha de basquete...). Enfim, para o contexto daquela região, era perfeitamente normal! Mas vai fazer isso aqui no Brasil...
No meu aniversário de 19 anos, meu primeiro fora de casa, estava deitado no andar de baixo da beliche do seminário, com a cama rangendo e se mexendo toda a cada virada do baiano de 2m que dormia na cama de cima, peguei meu discman (ainda existia isso!) e, ao som de Switch Foot, tive minha primeira experiência de "estranhamento" de mim mesmo.
Tinha sido um dia interessante, com os parabéns e coisas parecidas, algumas ligações (agora bem reduzidas, já que eu não poderia ter celular e nem dava pra ficar esperando me ligarem ao lado de um orelhão..), um presentinho ou outro, cartas, etc. O que acontece é que, no final de tudo, quando deitei, pela primeira vez pensei em que eu era. Não aquela coisa filosófica, de "quem sou eu, quem eu sou", mas algo ingênuo, até, mas muito sincero.
Nesses 19 anos, quem o Diogo tinha sido? Pra ele mesmo? Pras pessoas ao redor? Que tipo de cristão? De filho? De irmão? De amigo? De namorado? De companheiro? De confidente? De servo? De estudante? De esportista? De companhia? E a lista pode continuar por aí... não sei quantos fazem isso, mas eu aprendi a importância de fazer essa "revisão" da vida ao menos essa vez, bem no aniversário, rever algumas coisas, repensar em outras, relacionamentos, sonhos, planos, realizações...não como aqueles votos de ano novo, com as roupas brancas, como folhas prontas a serem reescritas, pra ver se faremos certo dessa vez. Nada de idias utópicas ou coisa assim. Simplesmente eu olhava pra mim? Sabe quando o Maximus fala no Gladiador: "O que fazemos em vida, ecoa pela eternidade"?
O que realizei nesse último ano? O que tenho construído? Que relacionamentos tenho cultivado? Que valores tenho buscado? De vez em quando é bom dar uma parada, por menor que seja, antes que a gente ande muito rápido pra enxergar alguns detalhes fundamentais. Colocar uma cadeira do lado de fora, colocar uma musiquinha e se permitir "estranhar-se um pouco". Por que não?
"Quero poder dizer, no final da minha vida, combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé!" II Timóteo 4.7
Como muitos sabem, vivi um tempo na África. Mais precisamente, no Senegal. Mais precisamente ainda, no "reino" de Sinthiouroudji. Se quiser ver um pouco do contexto, dá uma olhada em algumas fotos: No Reino de Sinthiouroudji
E a ideia aqui é colocar algumas "notas culturais", coisas que vi, vivenciei, escrevi nos meus diários, etc..
E, pra começar, uma pequena nota sobre as noites de lua cheia na aldeia, direto do meu diário:
Sinthiouroudji - 29/03/07,
"Uma coisa interessante é como as crianças se divertem com pouco...não tem nada e daí qualquer coisa pode virar um presente, seja um band-aid (ainda vou contar essa aqui...), uma caneta, um remédio, pedaço de papel, etc...Mas tem uma coisa que as diverte mesmo é a lua. Chamo de "dança da lua" que, na verdade, não é só dança. Simplesmente, quando a lua está cheia, tudo fica bem claro (e não tem prédios, carros ou luzes pra ofuscar...), todas as crianças e adolescentes da aldeia saem e ficam juntas.
As meninas, normalmente, dançam. Os mais novos ficam correndo, fazendo "pega-pega", lutando, rolando no chão e, sobretudo, pertubando as meninas que dançam. Os meninos mais velhos ficam sentados em um pedaço de tronco de árvore morta, às vezes fazem fogueira, cantam, tomam chá...é bem legal, bem africano. Na verdade, fico me sentindo em um filme quando vejo isso. E eles ficam lá até 3h ou 4h da manhã.
Mas também, pudera: essa crianças nascem nesse contexto, sem água encanada, sem energia, sem interruptores, computadores, tomadas, celulares, brinquedos... e a lua chega pra dar um pouquinho de cor a esse mundo preto e branco. E a gente fica junto, dançando ao redor de uma fogueira (ou só de um pouquinho brasa mesmo), eles cantando e eu tentando aprender cada palavra...
E aqui aprendo a valorizar algo que não valorizava tanto: a luz do luar".
Namoro à distância. Por pior que seja, por mais maluco que você vá me chamar, mas eu namoro à distância há quase 1 ano e tem sido maravilhoso! A Mari é tudo o que eu havia pedido a Deus e um pouquinho mais. E, mesmo que sejamos "feitos um para o outro", temos que dar um jeito de driblar a distância, certo? E um desses jeitos é ler. Isso, lemos juntos. O mesmo livro. Ela lá em São Luis e eu aqui em Fortaleza. Daí, de quando em vez, trocamos uma mensagem ou outra, comentamos o livro, dizemos impressões, etc...e isso deixa o namoro um pouco menos distante, menos "virtual"(e isso me lembra que eu devo fazer um post sobre Namoro à Distância, pra você que passa por isso, já passou - e é traumatizado(a) -, ou só tem preconceito mesmo). Agora, por que estou falando disso?
Por que o livro dessa semana no Poeira é o "Um Dia" e foi o último que lemos. E, como estou meio romântico ultimamente, carente e etc, decidi colocar aqui um pouco dele. Um romance romântico. "Vinte anos, duas pessoas, um dia". Muito bom mesmo! Se você tem preconceito com romances românticos, ou acha que psicólogo só pode ler livros de Psicologia, pastor, de Teologia e fãs do Restart, Crepúsculo, é bom rever seus conceitos!
Enfim, dá uma passadinha na Li um dia desses... e veja por que recomendo esse livro!
Terça-feira, 17h45min, na Praça do Ferreira, no centro da cidade de Fortaleza. Trânsito. Tudo parado. Ou movimentado demais. Carros, motos, ônibus, topics e pedestres disputando um pouco de espaço na confusão. E eu precisando chegar na Unifor, outro lugar sempre cheio de tudo isso, e que distava 10km do meu lugar original. Como fazer isso? Será que eu estava condenado a passar 1h30 no trânsito?! A resposta: NÃO!
Vá de bike. Simples assim. Não dá pra explicar a sensação gostosa de poder passar por entre as fileiras de carros parados que mesmo com os sinais verdes, eles não podiam andar. Todos conhecemos o trânsito e como é chato ficar parado. Não dá pra fazer nada direito. Só esperar! E eu, com a minha bicicleta, ouvindo música com um fone (sempre é importante deixar uma "orelha livre"...nunca se sabe de onde vem uma buzina, né?), fazendo exercício, chegando cedo em casa. Que paraíso! Não há nada que pague passar tranquilamente por uma fila de carros parados, ter 360 graus de visão, poder olhar o chão, o céu, notar casas, pessoas, cheiros, sons, o vento no rosto!
Aprendi a depender de uma bicicleta na África. Tudo tínhamos que fazer de bike. E, ao voltar ao Brasil, resolvi que queria também ter uma, pedalar de vez em quando, etc. Mas eu morava longe dos meus compromissos e era inviável ficar só com a bicicleta, com uma mochila nas costas para o dia inteiro. Simplesmente não dava. E assim fui me tornando cada vez mais uma vítima do trânsito (como, imagino, muitos de vocês!).
Mas aí me mudei! E vendi meu carro! E assim a vida tem continuado. Mais saudável. Menos estressada (acreditem, o trânsito conseguia me tirar do sério..constantemente!). E podendo gozar da sensação de estar "fazendo a minha parte", sendo sustentável, sendo "carbon free". Sou um adepto do movimento Vida Simples. Economizar papel, descartáveis, água, sacolas, etc...Não vou mentir que muitas vezes dá preguiça de sair, mas depois que saio, começo a pedalar, vejo os carros parados, o trânsito, batidas, etc, me sinto disposto e motivado de novo!!
Esse movimento tem crescido cada vez mais. Pessoas em todo o mundo tem deixado seus carros em casa e ido de bicicleta. Isso é muito claro aqui em Fortaleza. Esses passeios noturnos, os "night bikes", acontecendo praticamente todo dia (apesar da falta de ciclovias, dos motoristas mal-educados, etc). E escrevo aqui pra tentar motivar você a largar seu carro ao menos uma vez na semana e ir de bike ou a pé. Tem as dificuldades sim, mas é a vida. E se nós estamos dispostos a fazer alguma mudança, temos que estar dispostos a pagar alguns preços.
Muita gente reclama que não tem como pedalar na cidade por que é muito perigoso, não tem estrutura, os motoristas não respeitam, etc. E isso, de fato, é verdade. Mas e aí? O que acontece é que enquanto as pessoas não forem pedalar, não forem batalhar por seu espaço nas ruas, ninguém vai mudar, os motoristas não vão se educar, as ciclovias não serão construídas...alguém vai ter que ceder nessa história e, infelizmente, os ciclistas ainda são minoria!
Aqui vai um apelo. Se você não topa ir de bike, acha besteira, falta do que fazer, é mais fácil pagar uma academia, etc, tudo bem, mas ao menos colabore para o respeito com os ciclistas. Estou só de bike há pouco mais de 2 meses e em todo esse tempo nunca, digo NUNCA, nenhuma vez sequer, recebi um gesto de gentileza. Sempre as pessoas são grosseiras, buzinam, gritam pra eu "arranjar o que fazer" (acham que por que se está pedalando, não se está indo ao trabalho, por exemplo..), jogam o carro em cima de mim pra desviar de buracos, etc.
Lembram do profeta Gentileza, pois é: GENTILEZA GERA GENTILEZA. Isso serve pra tudo! Que tal começarmos a praticar um pouco mais do que a gente prega, de seres humanos que relacionam-se com outros seres humanos. Por que não dividir?
Abaixo tem uma reportagem mostrando o percurso de casa para o trabalho em SP:
Ir de bike é massa! Economia de tempo, dinheiro, menos stress no trajeto, mudança no humor, melhora da produtividade no trabalho, não coloco a vida das outras pessoas em risco, não poluo o ar dos meus (futuros) filhos, saúde e vida longa, sensação de liberdade, etc... quer entender melhor? Dê uma chance a si mesmo e tente!
Inaugurando aqui uma nova seção! Essa eu devo a uma conversa que tive com a minha namorada linda e meu sogro gente boa (!!) lá em São Lulu!
Lembram que eu havia comentado o quanto eu gostava de ler? Só pra refrescar a memória, aqui vai um pedacinho do primeiro post do Poeira:
"Nunca gostei de escrever. Quando criança, lia muito, livros paradidáticos, gibis da Turma da Mônica... mas escrever, produzir alguma coisa, não. Lia por que me era conveniente. Dava pra fazer em posições, digamos, preguiçosas. Sentado, deitado, de cabeça pra baixo, no ônibus, avião, carro, na beira da piscina, com lanterna, abatjour, velas, etc... enfim, ler é muito mais fácil!"
Pois é, como eu gosto "qui só" de ler, decidi colocar a seção "LI UM DIA DESSES..." que vai falar justamente de alguns livros que li. Sinopses, críticas de alguns dos meus "momentos literários"! E vou tentar ser o mais eclético possível nos posts, um pouco de leitura cristã, romances, psicologia, técnicos, fotografia, etc...pra ficar mais abrangente, ok?
Então, espero que isso te ajude a encontrar alguns bons livros (ou te mantenha afastado de outros). E, como sempre, aceitanto críticas e sugestões. Se eu não tiver lido ainda, prometo que lerei e posto alguma coisa sobre e se você tem lido algum muito bacana, me manda uma resenha ou um resumo da tua crítica que também entra no Poeira na Janela!!
E, pra início, vou começar com três: - a Bíblia (sempre, minha favorita!) - Crime e Castigo (do Dostoiévski...clássico!!) - Cartas a um jovem Terapeuta (do Caligaris...terminei domingo!)
Confiram semanalmente um novo livro por aqui e boas leituras!!
Isso aqui é um negócio que eu penso desde antes de ir à África. É uma relação entre máquinas de lavar, piscina de bolinha e o oceano (?!). Formas de encarar a vida. Formas de ser ou não ser (para citar Shakespeare...). Falo de potencialidades, de (mais uma vez) zona de conforto, de conseguir ser aquilo que você foi criado pra ser, de dar um sentido pra sua vida, ou de descobrir o mesmo. Entender que a vida é como uma montanha russa, cheia de altos e baixos, às vezes, alguns túneis, um pouco de água, momentos escuros, rápidos, lentos, mas cheio de emoção. Se você passar por ela anestesiado, ou dormindo, sem os gritos, risos, sem as sensações, é como ter jogado seu dinheiro fora!
Certo, Diogo. E o que tem a ver a piscina de bolinhas?! Ela tem a ver com os locais que "mergulhamos" muitas vezes. Onde será que queremos mergulhar? Numa máquina de lavar roupas? Numa banheira? Numa piscina de bolinhas? Ou na imensidão do mar? Com ondas, vento, até tempestades de vez em quando, mas, acima de tudo, vida?! E aí? Onde que é melhor mergulhar?
Li em algum lugar um clamor que dizia assim: "faça algo, em algum lugar, agora! Estou certo de que há uma boa obra bem aí, com o seu nome escrito nela, pronta pra ser feita por você!". Pois é, potencialidades! Chega de ficarmos tão "em-nós-mesmos", de pensarmos pequeno, de termos medo de nos arriscar. Se algo te angustia, se algo te chama atenção, se algo coloca fogo no teu coração, vai correndo atrás desse algo e faça algo com ele, não fique só no "e se..". Não! Vá e SEJA BENÇÃO!
E aí? Quando é que você vai sair dessa piscininha, do meio dessas bolinhas coloridas, e se molhar com água de verdade? "Welcome aboard!"
"Porque sou eu que tenho planos pra vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro". Jeremias 29.11
One for One. Esse é o slogan de uma marca de sapatos (ou tênis, ou algo parecido!) chamada TOMS shoes. E, a princípio, não nos remete a nada. Talvez esse slogan te faça imaginar: "Ah! Mas é óbvio! Compre 1 leve 1! Daí o one for one! Se fosse two for one seria bem melhor, né não?! Ow coisa sem sentido...".
E é aí que a gente se engana. Em 2006, um viajante americano chamado Blake Mycoskie fez amizade com algumas crianças na Argentina e descobriu que elas não tinham sapatos para proteger os pés. Querendo ajudar, ele criou a TOMS que iria dar um par de sapatos para crianças necessitadas a cada sapato vendido. Ao final daquele ano ele voltou à Argentina com alguns familiares e alguns poucos funcionários e distribuiu 10.000 pares de sapatos novos para crianças que não tinham! Sacaram o ONEforONE?!
Pra entenderem direito a história, a importância e a seriedade da coisa, saibam que hoje a TOMS já deu mais de 1 milhão de novos sapatos a crianças necessitadas!! Vejam esse vídeo:
O cara não quis fazer uma ONG pra não ter que depender de doações e, muito provavelmente, ficar limitado por estas. Preferiu ter um rendimento muito superior com uma empresa "de verdade", podendo crescer, crescer e crescer, com outros aderindo ao movimento do 1FOR1 levando, assim, mais sapatos para mais crianças!
E as pessoas gostam de exibir seus TOMS. De estar com eles. Sentem-se fazendo sua parte ou, pelo menos, um começo disso. Sentem que estão, de alguma forma, ajudando a melhorar o mundo e a partir disso, podem influenciar outros a fazerem o mesmo.
Como não são sapatos "normais", sempre rendem conversas, que levam a contar a história do movimento, que levam a venda de outros sapatos, que levam calçados aos pés de crianças ao redor do mundo! Eu sei por que passo por isso. E também me orgulho de usar meus TOMS.
Quase sempre estou usando-os na faculdade e a ideia é justamente essa: que eu possa, mais uma vez, afirmar um ponto de vista, deixar de ser neutro, influenciar pessoas com boas idéias, ajudar a enxergar além das janelas e continuar pedindo a Deus que o que quer que Ele tenha pra transformar o mundo, não me deixe de fora! Quero poder ser instrumento!
Deem uma olhadinha no site (inglês): TOMShoes e entendam melhor o movimento, os depoimentos da galera que usa, como eles usam, a forma como se sentem, etc..também tem uma página no Facebook, pra quem quiser dar uma olhada melhor!
Depois falo um pouco mais sobre os óculos, que eles chamam de "Next chapter no one for one". Mas o esquema é o mesmo, pra cada par de óculos vendido, alguém vai ganhar um tratamento, ou uma cirurgia, ou óculos de grau. Simples assim!
Que tal fazer a diferença desse jeito? Não faltam opções e formas para sermos benção, para impactarmos outras vidas. É só querer sair um pouquinho da zona de conforto! Seja com sapatos, ou de bike em vez de carro, sendo sustentável, dando "bom dia" mais vezes, etc...é só querer!!
"Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé!" II Timóteo 4.7
No dia 12 de janeiro de 2010, um forte terremoto de magnitude 7 devastou o Haiti, matando 350 mil pessoas, ferindo outras 400 e deixando mais de 1 milhão de desabrigados.
Hoje eu estou aqui, 1 ano depois do terremoto, um ano depois de, literalmente, uma mudança sísmica nesse país e fico me perguntando: até onde foi essa mudança? Quão profundas as rachaduras vão? A idéia aqui não é me aprofundar em questões políticas econômicas; tem pessoas muito mais capacitadas para tal. O que me proponho a fazer é simplesmente trazer um olhar leigo, porém apaixonado, e que entrou nas tendas que hoje são chamadas de casas enquanto os haitianos esperam que algo aconteça pra lhes devolver ao menos paredes que não sejam feitas de lona e não tenham os símbolos da ONU, Unicef, Cruz Vermelha ou alguma ONG famosa. Eles esperam ter um espaço deles.
As ruas da capital, Porto Príncipe, são muito semelhantes as ruas de algumas capitais africanas, com muitos carros amassados, um trânsito caótico, mas sem acidentes e brigas, muitas vendinhas de rua, vendedores ambulantes, etc. O que o terremoto veio adicionar a essa paisagem já bem diversificada foram os prédios rachados e tombados, as fissuras no asfalto, a crescente quantidade de pessoas na rua a qualquer instante devido ao desemprego e às péssimas condições de morada e, em todo lugar também, os acampamentos, locais onde se vê dezenas, centenas e até milhares de tendas abrigando famílias haitianas.
O povo haitiano é mestre na arte de viver. Ou, como é o caso nesse último ano, SOBREviver. Ir às tendas, sentir o calor das 14h lá dentro, conversar com eles, ver as suas crianças, comer a comida, beber a água, andar naquelas ruas...tudo isso traz um novo referencial de prioridades e de valores. Infelizmente, hoje poucas organizações ajudam o Haiti. Alguns meses depois do terremoto, a mídia parou de mostrar a realidade lá e nós paramos de “comprar a idéia”. Com isso, o Haiti saiu das nosas lembranças e das nossas conversas, deixando o povo por conta própria.
O haitiano consegue se reerguer, mas precisa de um empurrãozinho. Precisa de apoio pra o novo governo (que tomou posse no último sábado), precisa de ajuda para uma reestruturação econômica, precisa de empregos, precisa de moradas, precisa ser ouvido e visto.
Estive como tradutor em uma equipe médica. 95% das pessoas estava anêmica, 80% das mulheres com infecção vaginal e mais de 50% estava depressivo, angustiado, sem vontade de nada, nem de lutar contra as doenças que lhe afligiam. É como se se acostumassem com a situação em que se encontravam e fossem simplesmente sobrevivendo, deixando a vida acontecer, simplesmente.
Mas também encontramos aqueles que com o terremoto, tiveram não só suas vidas e bens destruídos, mas os seus corações foram abalados de forma que eles se despertaram e entenderam que as melhores pessoas pra ajudar o seu povo é o próprio haitiano; são eles. E fazem orfanatos, conseguem água, comida, ajuda de fora, contatos estrangeiros, ajudam a reconstruir escolas, hospitais, postos de saúde, igrejas, etc...e eles nos ensinam muita coisa.
“Acredito que podemos mudar o Haiti. Nós podemos e nós iremos!”. Essa fala de um pastor haitiano que morava em um acampamento com outras 70.000 pessoas tem que ter algum impacto nas nossas vidas que são muitas vezes egoístas (não só com o nosso dinheiro, mas com o nosso tempo, com nossos sorrisos, com a água que bebemos ou gastamos no chuveiro, etc...) e pequenas.
E aí me pergunto: se acontecesse um terremoto como esse aqui, nas nossas vidas, bem no nosso mundo ensimesmado, como reagiríamos? De que forma aprenderíamos? Como agiríamos em relação ao outro? No Haiti, muitos estão simplesmente resignados, muitos roubam, muitos não fazem nada...mas tem esses poucos que querem transformação, que querem fazer a diferença e sabem que não podem e nem devem ficar sempre esperando a ajuda de fora, sabem que precisam mudar pra que sejam transformadores, sabem que a hora é agora.
Não sei de que forma você enxerga o mundo. Não conheço a sua cosmovisão. Não sei quais são as suas prioridades. E, sinceramente, não tenho nenhum interesse em saber. O que quero poder dizer é que precisamos parar, parar antes que fiquemos CEGOS pra o que está ao nosso redor, cegos pras nossas transformações, cegos pra o que podemos fazer, cegos para o diferencial que podemos trazer. Alguém falou: quanto serei mudado até que mude?! E a questão é essa. Qual vai ter que ser o tamanho do terremoto pra que a tua vida mude ao ponto de conseguir te tirar da zona de conforto e te fazer enxergar, de uma vez por todas, que existe um universo ao lado, pronto pra ser explorado, pra aprender e te ensinar, pra ser humano no processo magniífico da vida.
"E disse Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim." João 14.6
Não sei quantos têm essa "relação" com mochilas/bolsas. E não tô falando das bolsas femininas, arrumadinhas e sofisticadas, cheias de coisas "extremamente necessárias"...vai entender! O que eu tô falando aqui é do "kit de sobrevivência diário".
A minha relação com a "mochila nossa de cada dia" começou na África, quando saí uma vez, digamos, desprovido de auxílio e equipamento, e acabei tendo que passar a noite toda perdido no meio do caminho, no mato, porque não havia levado nada comigo. Nem lanterna, ou celular, ou isqueiro, nada! (Essa história de quando me perdi é bem "legal", mas vai ficar pra um outro post...).
Aprendizado? Desde então não saí sem canivete, lanterna, celular, papel higiênico (nunca se sabe quando os vermes vão querer te atrapalhar, né?), bloco de anotações, mp3, caneta, uma muda de roupa, máquina fotográfica, bombinha de asma (essa ainda vai ganhar um post exclusivo!), pacotinho de biscoito, canivete, etc.
E até hoje é assim! Tô no Brasil há 2 anos e meio e sempre ando com mochila. Tá certo que não tenho precisado muito do canivete ou do papel higiênico, mas acabei me acostumando a ficar sempre pronto para eventualidades.
Então, pra quem interessar possa, aqui vai o meu "kit" atual: carteira - celulares (tim e oi) - mp4 - barra de cereal (nunca se sabe quando a aula vai até mais tarde...) - lencinhos de papel (vivo de bicicleta. Moro em uma cidade quente. Preciso secar o suor da testa, ora bolas!) - livro "da vez" (sempre com algum comigo. Seja romance, seja algo mais específico, mas sempre lendo algumas coisa, no banheiro, na cama, em filas, na faculds, mas sempre lendo) - pen drive (nunca se sabe o que se pode encontrar nos PCs alheios) - Nex5 (minha câmera. Sony. Sem comentários. Eita!! Depois dêem uma olhadinha na página Imagens e Contrastes) - Netbook ou um bloquinho de anotações - blusa extra (vai que o desodorante não dá conta do calor...).
E agora, por estar sempre com mochila, penso nas nossas "mochilas diárias". Sabe quando carregamos bagagens, muitas vezes desnecessárias, que nos puxam pra baixo, nos deixam doloridos, mais feios, sujos e suados pelo esforço? Pois é. Temos mania de fazer isso. Mania de carregarmos coisas desnecessárias...e de esquecer outras fundamentais. Todos nós. Imagina a cena:
Possivelmente você o fez esta manhã. Em algum lugar entre a cama e a porta de casa, você pegou alguma bagagem. "Eu?!" - você pergunta. Fazemos isso sem pensar. É automático. E, pensando nisso, lembrei de um livro do Max Lucado, Aliviando a Bagagem:
"Todos nós quando viajamos levamos uma bagagem consigo. Viajar é importante, abre novos horizontes, novas oportunidades, por isso é preciso saber exatamente o que levar. Carregar muitas coisas pode impedir-nos de aproveitar tudo o que a excursão tem a oferecer. Ao falar em bagagem, falo não das roupas, sapatos, etc. mas da bagagem que carregamos em nossas mentes e corações. As malas da qual estou falando não são feitas de couro; são feitas de encargos: a valise de culpa, um saco de desgosto. Você acomoda a grossa sacola de fadiga sobre um ombro, e pendura a bolsa de aflição no outro. Adiciona uma mochila de dúvidas, mais a mala postal noturna de solidão, e um baú de temores. Logo você estará arrastando mais trastes que um carregador. Não admira que você esteja tão cansado que não consegue aproveitar a viagem. Puxar bagagem é exaustivo."
Puxar bagagem é exaustivo! Ninguém vai muito longe com uma carga pesada...ou inútil! Se você não consegue, como eu, sair sem "mochila", então que tal fazer com que essa mochila seja funcional? Afirme um ponto de vista. Tenha coisas úteis..edificantes...e que possam não só te salvar de enrascadas, mas a outros também!
Só pra lembrar uma coisinha fundamental: Jesus, certa vez, disse: "Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mateus 11.28)
"There is fire on the mountain, and nobody seems to be on the run Oh there is fire on the mountain top, and no one is'ah running"
Tá pegando fogo em todo lugar e a gente tá simplesmente acostumado!! Sério mesmo. Vejam noticiários, vejam as guerras, vejam a ganância, vejam os desastres, vejam as crises financeiras, os genocídios, os diversos partidos, as diversas igrejas com as suas diversas doutrinas, a pornografia no "horário nobre", a cultura do "todo mundo é livre para sentir-se bem..." (mesmo que isso seja alguma maluquice)... tem fogo em todo lugar e nós nem nos damos conta, porque nem estamos correndo!!
Conheci o trabalho da Asha (pronuncia-se "asa"), essa artista nigeriana locada em Paris, quando estava em Roma, visitando um amigo (Lucas-Jubas), de férias da África. Simplesmente me apaixonei. O estilo dela, os clipes, as letras, tudo! Dêem uma olhadinha. Garanto que não vão se arrepender!
"Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem - e temem." Tiago 2.19
Como é que você sabe se pertence a Deus?! Um método evangelístico bastante utilizado costuma levantar questionamentos como "se você morresse hoje, por que razão Deus admitiria você no céu?" e a resposta "porque eu creio em Deus!" parece ser dita de forma instantânea. O apóstolo Tiago conhecia pessoas que também partilhavam desse pensamento e contavam com o favor de Deus apenas por crer e conhecer doutrinas religiosas.
Contudo, Tiago esclarece que a fé, apesar de ser algo bom e necessário, definitivamente não é prova de salvação. O que ele quer dizer é isto: "Você diz que é um cristão e que goza do favor de Deus. Você pensa que Deus vai admiti-lo no céu, e que a prova disso é que você crê em Deus. Mas isso não prova nada, porque os demônios também crêem, e eles com toda certeza vão ser punidos no inferno!"
Ser cristão é muito louco! Mas é um loucura gostosa. Uma loucura que faz sentido. Uma loucura autêntica. Umas loucura certa, direcionada pelo Pai.
Se ser cristão é ser louco, quero ser o mais aloprado de todos. Se ser cristão é ser autêntico, quero tirar toda a máscara, quero ser eu mesmo, liberto, lavado e guiado por Jesus! Um autêntico seguidor dEle!!
Em 2003, depois da "Terra vista do céu", Yann Arthus-Bertrand, Sibylle d'Orgeval e Baptiste Rouget-Luchaire, lançaram o projeto "6 bilhões de outros". 5.000 entrevistas foram filmadas em 75 países através de 6 diretores que foram até as "casas" dos "outros".
Do pescador brasileiro à lojista chinesa, do artista alemão ao agricultor afegão, todos responderam as mesmas questões sobre seus temores, sonhos, provações, esperança, etc:
O que você aprendeu de seus pais? O que você daria a seus filhos? O que é o amor para você? Por quais provações você já passou?
Umas quarenta questões essenciais nos permitem, assim, descobrir o que nos separa e o que nos liga. Esses retratos da humanidade de hoje estão no site:6 Bilhões de Outros.
O site é MARAVILHOSO! Muito rico mesmo. Tem uma parte, nos testemunhos, que dá pra clicar em "Filmes Temáticos". Muito interessante ver a forma como pessoas de lugares tão distintos vêem coisas como amor, Deus, pais, sentido da vida, etc... Tem muuuuito tempo de vídeo. Dá pra se deleitar mesmo!
Que tal conhecer um pouquinho mais do "Universo ao Lado"?
"Infinita experiência, infinita invenção, Traz o sabor do movimento, mas não da quietude... Onde está a vida que perdemos vivendo? Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?"
T.S.Elliot
Isso tinha que estar em um dos primeiros posts aqui! Isso da "geração fast food" que tanto se fala, da correria do dia-a-dia, do instantâneo e wireless, todo mundo seguindo todo mundo onde quer que se vá, com tablets multi facetados pra ajudar e nos orgulhar... é algo a se olhar, refletir e tomar cuidado, muito cuidado.
Lembro do dia que eu voltei da África. A vida na aldeia era muito pacata. Muito mesmo. Ninguém tem relógio. Chegar atrasado é normal. Não temos buzinas, agendas ou programações. Tudo é muito baseado na hora de ir ao mercado, ou de fazer almoço, ou de ir pra oração na mesquita, ou da preparar a terra, ou de colher, a chuva, o sol, os animais destroem as plantações, faz-se novas cercas, toma-se chá (ataya é o nome) o tempo todo, sempre ouvindo música (mbalax, música típica no Senegal) no radinho de pilha, esperando alguma coisa acontecer, etc...
O que acontece é que eu fiquei muito tempo nesse contexto. E acabei me acostumando. Tá certo que bem do meu jeitão, meio hiperativo e tudo, mas me acostumei a ter um ritmo beeem mais lento. Enfim, chegando no shopping Tijuca, no Rio, lá vou eu ao Habib's, pra comprar umas esfihas, matar a saudade, etc. Era um sábado à noite, o shopping lotado e eu, depois de passivamente enfrentar todas as filas que tive direito, consegui chegar à atendente. .
- Boa noite!
- Boa noite. vai querer o quê?
- Calma só um pouquinho...deixa eu ver...
- Já era pra ter visto quando estava na fila. Tem muita gente. Seja mais rápido, por favor.
- Tá bom! Então quero 4 esfihas de queijo e 2 kibes.
- Qual o sabor do kibe?
- E kibe tem sabor agora? Eita!! Nem sei...
- Senhor. Por favor, decida-se.
E as pessoas com cara feia na fila, atrás de mim...
- Moça eu não sei!! Não conheço esses sabores. Aliás, nem tô conseguindo visualizar o meu "sabor" antigo...
- Então só as 4 esfihas?
- Não. Me dá qualquer coisa aí. Esfiha e qualquer coisa...
Dai eu descobri que voltei muito sensível Tudo meus olhos ficavam marejados..em choque!! Ai, ai! Tempo difícil esse!! Imagina no dia que fui no Spoleto, tendo que escolher tantos ingrediente, a frigideira no fogo, as pessoas atrás, as caras feias, ahhhhhh!!
Esse contexto de corre-corre que nos submetemos nos impede de olhar algumas coisas. Olhar ao redor. As coisas. As pessoas. As janelas. Os caminhos. Onde está a vida que perdemos vivendo?
Isso daqui é um apelo. Voltar a cumprimentar as pessoas (ou começar...). De vez em quando, trocar o elevador pela escada, o carro pela bicicleta, ou mesmo ir à pé a alguns lugares. Você vai conseguir ver as coisas de outros ângulos e com muito mais detalhes!
"Não se esqueça que, na vida, o valioso e importante não é tanto a realização de atos notáveis [...], mas realizar coisas comuns percebendo seu enorme valor". Pierre de Chardin
Nunca gostei de escrever. Quando criança, lia muito, livros paradidáticos, gibis da Turma da Mônica... mas escrever, produzir alguma coisa, não. Lia por que me era conveniente. Dava pra fazer em posições, digamos, preguiçosas. Sentado, deitado, de cabeça pra baixo, no ônibus, avião, carro, na beira da piscina, com lanterna, abatjour, velas, etc... enfim, ler é muito mais fácil!
Já escrever exige uma posição. Papel e caneta (se bem que hoje tem tanta opção disso... smartphone, tablet, note, net, gravador de voz, etc..). Mas eu ainda me apego ao bom e velho bloquinho de anotações. De qualquer forma, preciso confessar, antes de escrever o que quer que seja aqui, que por preguiça e conveniência, não escrevia. Fugia disso. E o pior é que eu, assim como todas as pessoas, tenho algo a dizer! Eu tenho, você tem, o cara que pede esmola no sinal tem, a tia da banca de revistas também, todo mundo tem. Mas eu, por preguiça, não o fiz.
O que acontece é que eu acho que tô tomando vergonha, ainda mais depois das minhas andanças pelo Senegal, Haiti, alguns lugares do Brasil, leituras, filmes assistidos e alguns projetos começados (nem todos terminados), a pressão pra colocar algo no "papel" tem aumentado quase insuportavelmente.
Esse blog é uma forma de acabar com essa "angústia", responder a algumas perguntas sobre o tempo na África, falar da minha relação com Deus, do ser um jovem cristão que "insiste em andar na contra mão", contar algumas histórias e compartilhar alguns "cliques" (leia o "quem sou eu?").
E espero, sinceramente, que algo aqui te edifique, te faça rever paradigmas e conceitos e te ajude (ou pelo menos motive) a "florescer onde estiver plantado".