domingo, 28 de agosto de 2011

Piscina de bolinhas...


Isso aqui é um negócio que eu penso desde antes de ir à África. É uma relação entre máquinas de lavar, piscina de bolinha e o oceano (?!). Formas de encarar a vida. Formas de ser ou não ser (para citar Shakespeare...). Falo de potencialidades, de (mais uma vez) zona de conforto, de conseguir ser aquilo que você foi criado pra ser, de dar um sentido pra sua vida, ou de descobrir o mesmo. Entender que a vida é como uma montanha russa, cheia de altos e baixos, às vezes, alguns túneis, um pouco de água, momentos escuros, rápidos, lentos, mas cheio de emoção. Se você passar por ela anestesiado, ou dormindo, sem os gritos, risos, sem as sensações, é como ter jogado seu dinheiro fora!


Certo, Diogo. E o que tem a ver a piscina de bolinhas?! Ela tem a ver com os locais que "mergulhamos" muitas vezes. Onde será que queremos mergulhar? Numa máquina de lavar roupas? Numa banheira? Numa piscina de bolinhas? Ou na imensidão do mar? Com ondas, vento, até tempestades de vez em quando, mas, acima de tudo, vida?! E aí? Onde que é melhor mergulhar?

Li em algum lugar um clamor que dizia assim: "faça algo, em algum lugar, agora! Estou certo de que há uma boa obra bem aí, com o seu nome escrito nela, pronta pra ser feita por você!". Pois é, potencialidades! Chega de ficarmos tão "em-nós-mesmos", de pensarmos pequeno, de termos medo de nos arriscar. Se algo te angustia, se algo te chama atenção, se algo coloca fogo no teu coração, vai correndo atrás desse algo e faça algo com ele, não fique só no "e se..". Não! Vá e SEJA BENÇÃO!

E aí? Quando é que você vai sair dessa piscininha, do meio dessas bolinhas coloridas, e se molhar com água de verdade? "Welcome aboard!"

"Porque sou eu que tenho planos pra vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro". Jeremias 29.11


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

One for One


One for One. Esse é o slogan de uma marca de sapatos (ou tênis, ou algo parecido!) chamada TOMS shoes. E, a princípio, não nos remete a nada. Talvez esse slogan te faça imaginar: "Ah! Mas é óbvio! Compre 1 leve 1! Daí o one for one! Se fosse two for one seria bem melhor, né não?! Ow coisa sem sentido...".

E é aí que a gente se engana. Em 2006, um viajante americano chamado Blake Mycoskie fez amizade com algumas crianças na Argentina e descobriu que elas não tinham sapatos para proteger os pés. Querendo ajudar, ele criou a TOMS que iria dar um par de sapatos para crianças necessitadas a cada sapato vendido. Ao final daquele ano ele voltou à Argentina com alguns familiares e alguns poucos funcionários e distribuiu 10.000 pares de sapatos novos para crianças que não tinham! Sacaram o ONEforONE?!

Pra entenderem direito a história, a importância e a seriedade da coisa, saibam que hoje a TOMS já deu mais de 1 milhão de novos sapatos a crianças necessitadas!! Vejam esse vídeo:


O cara não quis fazer uma ONG pra não ter que depender de doações e, muito provavelmente, ficar limitado por estas. Preferiu ter um rendimento muito superior com uma empresa "de verdade", podendo crescer, crescer e crescer, com outros aderindo ao movimento do 1FOR1 levando, assim, mais sapatos para mais crianças!

E as pessoas gostam de exibir seus TOMS. De estar com eles. Sentem-se fazendo sua parte ou, pelo menos, um começo disso. Sentem que estão, de alguma forma, ajudando a melhorar o mundo e a partir disso, podem influenciar outros a fazerem o mesmo.

Como não são sapatos "normais", sempre rendem conversas, que levam a contar a história do movimento, que levam a venda de outros sapatos, que levam calçados aos pés de crianças ao redor do mundo! Eu sei por que passo por isso. E também me orgulho de usar meus TOMS.

Quase sempre estou usando-os na faculdade e a ideia é justamente essa: que eu possa, mais uma vez, afirmar um ponto de vista, deixar de ser neutro, influenciar pessoas com boas idéias, ajudar a enxergar além das janelas e continuar pedindo a Deus que o que quer que Ele tenha pra transformar o mundo, não me deixe de fora! Quero poder ser instrumento!

Deem uma olhadinha no site (inglês): TOMShoes e entendam melhor o movimento, os depoimentos da galera que usa, como eles usam, a forma como se sentem, etc..também tem uma página no Facebook, pra quem quiser dar uma olhada melhor!


Depois falo um pouco mais sobre os óculos, que eles chamam de "Next chapter no one for one". Mas o esquema é o mesmo, pra cada par de óculos vendido, alguém vai ganhar um tratamento, ou uma cirurgia, ou óculos de grau. Simples assim!

Que tal fazer a diferença desse jeito? Não faltam opções e formas para sermos benção, para impactarmos outras vidas. É só querer sair um pouquinho da zona de conforto! Seja com sapatos, ou de bike em vez de carro, sendo sustentável, dando "bom dia" mais vezes, etc...é só querer!!

"Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé!" II Timóteo 4.7

domingo, 21 de agosto de 2011

Muito além dos escombros...

   No dia 12 de janeiro de 2010, um forte terremoto de magnitude 7 devastou o Haiti, matando 350 mil pessoas, ferindo outras 400 e deixando mais de 1 milhão de desabrigados.
Hoje eu estou aqui, 1 ano depois do terremoto, um ano depois de, literalmente, uma mudança sísmica nesse país e fico me perguntando: até onde foi essa mudança? Quão profundas as rachaduras vão? A idéia aqui não é me aprofundar em questões políticas econômicas; tem pessoas muito mais capacitadas para tal. O que me proponho a fazer é simplesmente trazer um olhar leigo, porém apaixonado, e que entrou nas tendas que hoje são chamadas de casas enquanto os haitianos esperam que algo aconteça pra lhes devolver ao menos paredes que não sejam feitas de lona e não tenham os símbolos da ONU, Unicef, Cruz Vermelha ou alguma ONG famosa. Eles esperam ter um espaço deles.

As ruas da capital, Porto Príncipe, são muito semelhantes as ruas de algumas capitais africanas, com muitos carros amassados, um trânsito caótico, mas sem acidentes e brigas, muitas vendinhas de rua, vendedores ambulantes, etc. O que o terremoto veio adicionar a essa paisagem já bem diversificada foram os prédios rachados e tombados, as fissuras no asfalto, a crescente quantidade de pessoas na rua a qualquer instante devido ao desemprego e às péssimas condições de morada e, em todo lugar também,  os acampamentos, locais onde se vê dezenas, centenas e até milhares de tendas abrigando famílias haitianas.
O povo haitiano é mestre na arte de viver. Ou, como é o caso nesse último ano, SOBREviver. Ir às tendas, sentir o calor das 14h lá dentro, conversar com eles, ver as suas crianças, comer a comida, beber a água, andar naquelas ruas...tudo isso traz um novo referencial de prioridades e de valores. Infelizmente, hoje poucas organizações ajudam o Haiti. Alguns meses depois do terremoto, a mídia parou de mostrar a realidade lá e nós paramos de “comprar a idéia”. Com isso, o Haiti saiu das nosas lembranças e das nossas conversas, deixando o povo por conta própria.
O haitiano consegue se reerguer, mas precisa de um empurrãozinho. Precisa de apoio pra o novo governo (que tomou posse no último sábado), precisa de ajuda para uma reestruturação econômica, precisa de empregos, precisa de moradas, precisa ser ouvido e visto.
Estive como tradutor em uma equipe médica. 95% das pessoas estava anêmica, 80% das mulheres com infecção vaginal e mais de 50% estava depressivo, angustiado, sem vontade de nada, nem de lutar contra as doenças que lhe afligiam. É como se se acostumassem com a situação em que se encontravam e fossem simplesmente sobrevivendo, deixando a vida acontecer, simplesmente.
Mas também encontramos aqueles que com o terremoto, tiveram não só suas vidas e bens destruídos, mas os seus corações foram abalados de forma que eles se despertaram e entenderam que as melhores pessoas pra ajudar o seu povo é o próprio haitiano; são eles. E fazem orfanatos, conseguem água, comida, ajuda de fora, contatos estrangeiros, ajudam a reconstruir escolas, hospitais, postos de saúde, igrejas, etc...e eles nos ensinam muita coisa.

Acredito que podemos mudar o Haiti. Nós podemos e nós iremos!”. Essa fala de um pastor haitiano que morava em um acampamento com outras 70.000 pessoas tem que ter algum impacto nas nossas vidas que são muitas vezes egoístas (não só com o nosso dinheiro, mas com o nosso tempo, com nossos sorrisos, com a água que bebemos ou gastamos no chuveiro, etc...) e pequenas.

E aí me pergunto: se acontecesse um terremoto como esse aqui, nas nossas vidas, bem no nosso mundo ensimesmado, como reagiríamos? De que forma aprenderíamos? Como agiríamos em relação ao outro? No Haiti, muitos estão simplesmente resignados, muitos roubam, muitos não fazem nada...mas tem esses poucos que querem transformação, que querem fazer a diferença e sabem que não podem e nem devem ficar sempre esperando a ajuda de fora, sabem que precisam mudar pra que sejam transformadores, sabem que a hora é agora.
Não sei de que forma você enxerga o mundo. 
Não conheço a sua cosmovisão. Não sei quais são as suas prioridades. E, sinceramente, não tenho nenhum interesse em saber. O que quero poder dizer é que precisamos parar, parar antes que fiquemos CEGOS pra o que está ao nosso redor, cegos pras nossas transformações, cegos pra o que podemos fazer, cegos para o diferencial que podemos trazer. Alguém falou: quanto serei mudado até que mude?! E a questão é essa. Qual vai ter que ser o tamanho do terremoto pra que a tua vida mude ao ponto de conseguir te tirar da zona de conforto e te fazer enxergar, de uma vez por todas, que existe um universo ao lado, pronto pra ser explorado, pra aprender e te ensinar, pra ser humano no processo magniífico da vida.
"E disse Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim." João 14.6

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A mochila nossa de cada dia...

Não sei quantos têm essa "relação" com mochilas/bolsas. E não tô falando das bolsas femininas, arrumadinhas e sofisticadas, cheias de coisas "extremamente necessárias"...vai entender! O que eu tô falando aqui é do "kit de sobrevivência diário".

A minha relação com a "mochila nossa de cada dia" começou na África, quando saí uma vez, digamos, desprovido de auxílio e equipamento, e acabei tendo que passar a noite toda perdido no meio do caminho, no mato, porque não havia levado nada comigo. Nem lanterna, ou celular, ou isqueiro, nada! (Essa história de quando me perdi é bem "legal", mas vai ficar pra um outro post...).

Aprendizado? Desde então não saí sem canivete, lanterna, celular, papel higiênico (nunca se sabe quando os vermes vão querer te atrapalhar, né?), bloco de anotações, mp3, caneta, uma muda de roupa, máquina fotográfica, bombinha de asma (essa ainda vai ganhar um post exclusivo!), pacotinho de biscoito, canivete, etc.

E até hoje é assim! Tô no Brasil há 2 anos e meio e sempre ando com mochila. Tá certo que não tenho precisado muito do canivete ou do papel higiênico, mas acabei me acostumando a ficar sempre pronto para eventualidades.

Então, pra quem interessar possa, aqui vai o meu "kit" atual:
carteira - celulares (tim e oi) - mp4 - barra de cereal (nunca se sabe quando a aula vai até mais tarde...) - lencinhos de papel (vivo de bicicleta. Moro em uma cidade quente. Preciso secar o suor da testa, ora bolas!) - livro "da vez" (sempre com algum comigo. Seja romance, seja algo mais específico, mas sempre lendo algumas coisa, no banheiro, na cama, em filas, na faculds, mas sempre lendo) - pen drive (nunca se sabe o que se pode encontrar nos PCs alheios) - Nex5 (minha câmera. Sony. Sem comentários. Eita!! Depois dêem uma olhadinha na página Imagens e Contrastes) - Netbook ou um bloquinho de anotações - blusa extra (vai que o desodorante não dá conta do calor...).

E agora, por estar sempre com mochila, penso nas nossas "mochilas diárias". Sabe quando carregamos bagagens, muitas vezes desnecessárias, que nos puxam pra baixo, nos deixam doloridos, mais feios, sujos e suados pelo esforço? Pois é. Temos mania de fazer isso. Mania de carregarmos coisas desnecessárias...e de esquecer outras fundamentais. Todos nós. Imagina a cena:

Possivelmente você o fez esta manhã. Em algum lugar entre a cama e a porta de casa, você pegou alguma bagagem. "Eu?!" - você pergunta. Fazemos isso sem pensar. É automático. E, pensando nisso, lembrei de um livro do Max Lucado, Aliviando a Bagagem:


"Todos nós quando viajamos levamos uma bagagem consigo. Viajar é importante, abre novos horizontes, novas oportunidades, por isso é preciso saber exatamente o que levar. Carregar muitas coisas pode impedir-nos de aproveitar tudo o que a excursão tem a oferecer. Ao falar em bagagem, falo não das roupas, sapatos, etc. mas da bagagem que carregamos em nossas mentes e corações. As malas da qual estou falando não são feitas de couro; são feitas de encargos: a valise de culpa, um saco de desgosto. Você acomoda a grossa sacola de fadiga sobre um ombro, e pendura a bolsa de aflição no outro. Adiciona uma mochila de dúvidas, mais a mala postal noturna de solidão, e um baú de temores. Logo você estará arrastando mais trastes que um carregador. Não admira que você esteja tão cansado que não consegue aproveitar a viagem. Puxar bagagem é exaustivo."

Puxar bagagem é exaustivo! Ninguém vai muito longe com uma carga pesada...ou inútil! Se você não consegue, como eu, sair sem "mochila", então que tal fazer com que essa mochila seja funcional? Afirme um ponto de vista. Tenha coisas úteis..edificantes...e que possam não só te salvar de enrascadas, mas a outros também!

Só pra lembrar uma coisinha fundamental: Jesus, certa vez, disse: "Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mateus 11.28)

Tá com bagagem? Várias formas de "aliviar"...

domingo, 14 de agosto de 2011

Fire on the mountain



"There is fire on the mountain,
and nobody seems to be on the run
Oh there is fire on the mountain top,
and no one is'ah running"


Tá pegando fogo em todo lugar e a gente tá simplesmente acostumado!! Sério mesmo. Vejam noticiários, vejam as guerras, vejam a ganância, vejam os desastres, vejam as crises financeiras, os genocídios, os diversos partidos, as diversas igrejas com as suas diversas doutrinas, a pornografia no "horário nobre", a cultura do "todo mundo é livre para sentir-se bem..." (mesmo que isso seja alguma maluquice)... tem fogo em todo lugar e nós nem nos damos conta, porque nem estamos correndo!!


Conheci o trabalho da Asha (pronuncia-se "asa"), essa artista nigeriana locada em Paris, quando estava em Roma, visitando um amigo (Lucas-Jubas), de férias da África. Simplesmente me apaixonei. O estilo dela, os clipes, as letras, tudo! Dêem uma olhadinha. Garanto que não vão se arrepender!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Cristão Autêntico

"Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem - e temem."  Tiago 2.19


Como é que você sabe se pertence a Deus?! Um método evangelístico bastante utilizado costuma levantar questionamentos como "se você morresse hoje, por que razão Deus admitiria você no céu?" e a resposta "porque eu creio em Deus!" parece ser dita de forma instantânea. O apóstolo Tiago conhecia pessoas que também partilhavam desse pensamento e contavam com o favor de Deus apenas por crer e conhecer doutrinas religiosas.

Contudo, Tiago esclarece que a fé, apesar de ser algo bom e necessário, definitivamente não é prova de salvação. O que ele quer dizer é isto: "Você diz que é um cristão e que goza do favor de Deus. Você pensa que Deus vai admiti-lo no céu, e que a prova disso é que você crê em Deus. Mas isso não prova nada, porque os demônios também crêem, e eles com toda certeza vão ser punidos no inferno!"

Ser cristão é muito louco! Mas é um loucura gostosa. Uma loucura que faz sentido. Uma loucura autêntica. Umas loucura certa, direcionada pelo Pai.
Se ser cristão é ser louco, quero ser o mais aloprado de todos. Se ser cristão é ser autêntico, quero tirar toda a máscara, quero ser eu mesmo, liberto, lavado e guiado por Jesus! Um autêntico seguidor dEle!!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

6 Bilhões de Outros

Em 2003, depois da "Terra vista do céu", Yann Arthus-Bertrand, Sibylle d'Orgeval e Baptiste Rouget-Luchaire, lançaram o projeto "6 bilhões de outros". 5.000 entrevistas foram filmadas em 75 países através de 6 diretores que foram até as "casas" dos "outros".




Do pescador brasileiro à lojista chinesa, do artista alemão ao agricultor afegão, todos responderam as mesmas questões sobre seus temores, sonhos, provações, esperança, etc:


O que você aprendeu de seus pais? 
O que você daria a seus filhos?
O que é o amor para você?
Por quais provações você já passou?


Umas quarenta questões essenciais nos permitem, assim, descobrir o que nos separa e o que nos liga. Esses retratos da humanidade de hoje estão no site: 6 Bilhões de Outros.


O site é MARAVILHOSO! Muito rico mesmo. Tem uma parte, nos testemunhos, que dá pra clicar em "Filmes Temáticos". Muito interessante ver a forma como pessoas de lugares tão distintos vêem coisas como amor, Deus, pais, sentido da vida, etc... Tem muuuuito tempo de vídeo. Dá pra se deleitar mesmo! 


Que tal conhecer um pouquinho mais do "Universo ao Lado"?

Onde está a vida que perdemos vivendo?

"Infinita experiência, infinita invenção,
 Traz o sabor do movimento, mas não da quietude...
 Onde está a vida que perdemos vivendo?
 Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?"
                                                                            T.S.Elliot

Isso tinha que estar em um dos primeiros posts aqui! Isso da "geração fast food" que tanto se fala, da correria do dia-a-dia, do instantâneo e wireless, todo mundo seguindo todo mundo onde quer que se vá, com tablets multi facetados pra ajudar e nos orgulhar... é algo a se olhar, refletir e tomar cuidado, muito cuidado.

Lembro do dia que eu voltei da África. A vida na aldeia era muito pacata. Muito mesmo. Ninguém tem relógio. Chegar atrasado é normal. Não temos buzinas, agendas ou programações. Tudo é muito baseado na hora de ir ao mercado, ou de fazer almoço, ou de ir pra oração na mesquita, ou da preparar a terra, ou de colher, a chuva, o sol, os animais destroem as plantações, faz-se novas cercas, toma-se chá (ataya é o nome) o tempo todo, sempre ouvindo música (mbalax, música típica no Senegal) no radinho de pilha, esperando alguma coisa acontecer, etc...

O que acontece é que eu fiquei muito tempo nesse contexto. E acabei me acostumando. Tá certo que bem do meu jeitão, meio hiperativo e tudo, mas me acostumei a ter um ritmo beeem mais lento. Enfim, chegando no shopping Tijuca, no Rio, lá vou eu ao Habib's, pra comprar umas esfihas, matar a saudade, etc. Era um sábado à noite, o shopping lotado e eu, depois de passivamente enfrentar todas as filas que tive direito, consegui chegar à atendente. .

- Boa noite!
- Boa noite. vai querer o quê?
- Calma só um pouquinho...deixa eu ver...
- Já era pra ter visto quando estava na fila. Tem muita gente. Seja mais rápido, por favor.
- Tá bom! Então quero 4 esfihas de queijo e 2 kibes.
- Qual o sabor do kibe?
- E kibe tem sabor agora? Eita!! Nem sei...
- Senhor. Por favor, decida-se.
E as pessoas com cara feia na fila, atrás de mim...
- Moça eu não sei!! Não conheço esses sabores. Aliás, nem tô conseguindo visualizar o meu "sabor" antigo...
- Então só as 4 esfihas?
- Não. Me dá qualquer coisa aí. Esfiha e qualquer coisa...

Dai eu descobri que voltei muito sensível Tudo meus olhos ficavam marejados..em choque!! Ai, ai! Tempo difícil esse!! Imagina no dia que fui no Spoleto, tendo que escolher tantos ingrediente, a frigideira no fogo, as pessoas atrás, as caras feias, ahhhhhh!! 

Esse contexto de corre-corre que nos submetemos nos impede de olhar algumas coisas. Olhar ao redor. As coisas. As pessoas. As janelas. Os caminhos. Onde está a vida que perdemos vivendo
Isso daqui é um apelo. Voltar a cumprimentar as pessoas (ou começar...). De vez em quando, trocar o elevador pela escada, o carro pela bicicleta, ou mesmo ir à pé a alguns lugares. Você vai conseguir ver as coisas de outros ângulos e com muito mais detalhes!

"Não se esqueça que, na vida, o valioso e importante não é tanto a realização de atos notáveis [...], mas realizar coisas comuns percebendo seu enorme valor". Pierre de Chardin


Antes de começar...


Nunca gostei de escrever. Quando criança, lia muito, livros paradidáticos, gibis da Turma da Mônica... mas escrever, produzir alguma coisa, não. Lia por que me era conveniente. Dava pra fazer em posições, digamos, preguiçosas. Sentado, deitado, de cabeça pra baixo, no ônibus, avião, carro, na beira da piscina, com lanterna, abatjour, velas, etc... enfim, ler é muito mais fácil!

Já escrever exige uma posição. Papel e caneta (se bem que hoje tem tanta opção disso... smartphone, tablet, note, net, gravador de voz, etc..). Mas eu ainda me apego ao bom e velho bloquinho de anotações. De qualquer forma, preciso confessar, antes de escrever o que quer que seja aqui, que por preguiça e conveniência, não escrevia. Fugia disso. E o pior é que eu, assim como todas as pessoas, tenho algo a dizer! Eu tenho, você tem, o cara que pede esmola no sinal tem, a tia da banca de revistas também, todo mundo tem. Mas eu, por preguiça, não o fiz.

O que acontece é que eu acho que tô tomando vergonha, ainda mais depois das minhas andanças pelo Senegal, Haiti, alguns lugares do Brasil, leituras, filmes assistidos e alguns projetos começados (nem todos terminados), a pressão pra colocar algo no "papel" tem aumentado quase insuportavelmente.

Esse blog é uma forma de acabar com essa "angústia", responder a algumas perguntas sobre o tempo na África, falar da minha relação com Deus, do ser um jovem cristão que "insiste em andar na contra mão", contar algumas histórias e compartilhar alguns "cliques" (leia o "quem sou eu?").

E espero, sinceramente, que algo aqui te edifique, te faça rever paradigmas e conceitos e te ajude (ou pelo menos motive) a "florescer onde estiver plantado".



Xêru,