sábado, 31 de dezembro de 2011

E que venha 2012!


Sei que tenho andado meio ausente aqui do Poeira, mas pretendo retornar com todo gás em janeiro, assim, desculpe. De verdade. Mas já estou preparando umas coisas legais aqui pra o início de 2012, ok? Mas que tal um de despedida?

Não sei quem já reparou no meu "versículo de rodapé dos emails", o II Tim 4.7. E sempre que eu penso em novos desafios, lembro disso, lembro do nosso Senhor vindo pra nos buscar, nos procurando e dizendo: "Servo bom e fiel...MISSÃO CUMPRIDA!". E eu quero ser digno disso! Por mais difícil que seja a missão, por mais duras que sejam as tempestades, ou por mais frágil que seja o barco, o importante é quem temos ao nosso lado, é saber com quem podemos contar, e que juntos podemos olhar pra cima!

Sem necessidade de procurar muito longe, cada dia temos um desafio novo e, se pararmos pra pensar, um mimo novo, vindo diretamente do Senhor. Em 2011 fizemos muita coisa, vidas foram transformadas, capacitadas, aprendemos a mudar algumas coisas, repetir outras, a perdoar, ser perdoado, a recomeçar...e que venha 2012! Não com listas e listas de coisas pra começar, mas uma coisa de cada vez, bem no centro da vontade do Senhor, pra que a gente possa dizer juntos, no final da nossa vida, que "combatemos o bom combate, completamos a corrida e guardamos a fé"! Maranata!!

Xêru!!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Deus de bolso...e cristãos de carteirinha.


Aos que se dizem CRISTÃOS, um pequeno desabafo:

Será que muitas vezes não queremos Deus só até onde nós "curtimos"? Será que não esperamos de Deus só o que nos agrada ou faz sentido pra nossa cabeça? Será que, às vezes, não fazemos dEle um "Deus de bolso", onde sabemos onde Ele está, como usá-Lo, quando usá-Lo, etc?! Será que Ele não tem muuuuito mais?

Chega de ser cristão só de "carteirinha". Chega de viver Deus só entre 4 paredes, esquecendo do campo, que está branco, só esperando!! Chega de ser MORNO! Chega de ficar ridicularizando o evangelho com atitudes insensatas e carnais! Que tipo de cristãos temos sido nós, que não brilham, não são sal, não fazem a diferença?! Está na hora de sermos o que Deus nos chama pra ser!

Assim você, cristão verdadeiro, não santo ou "certinho", mas que busca no alvo certo, que quer ser guiado pelo Senhor, que entende que temos um papel a cumprir, por favor, BRILHE! Seja benção! Grite o evangelho com a sua vida! E não só na sua faculdade, colégio, trabalho, sua casa ou no meio da rua, mas na igreja também! Que o amor que temos uns pelos outros mostre que somos discípulos do Senhor (João 13.35). Pense em Neemias, José, Paulo, Daniel, Josué e tantos outros...e tenha força para pedalar na contramão, sabendo que "não somos nós que controlamos o nosso guidão"! - (pra citar o Crombie)

E aí, talvez, só talvez, a gente possa dizer como como Paulo: "combatemos o bom combate, completamos a corrida, guardamos a fé!". 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Admirável Mundo Novo - nem tão distante assim


"Les utopies apparaissent comme bien plus réalisables qu'on ne le croyait autrefois. Comment éviter leurs réalisation définitive?"

Essa citação de Nicolas Berdiaeff dá um bom início do que podemos esperar do romance de Aldous Huxley. Uma utopia que, afinal de contas, nem o é tanto assim, pouco tempo depois.

O ano é 632 d. F., depois de Ford. Nessa sociedade, todos vivem sob o imperativo da felicidade. São divididos em castas: Alfas, Betas, Gamas, Deltas e Ípsilons. As duas primeiras, compostas de indivíduos únicos, mas as restantes passam por um processo que divide seus embriões e produz cerca de oitenta pessoas iguais. Tudo isso pra que, trabalhando juntos, haja um sentido de identidade entre eles. Aliás, esse nascimento e criação dos indivíduos é bastante detalhado no livro; esses processos que servem como base para a "geração" da nova sociedade, onde o sentimentalismo é deixado de lado e as técnicas e vida especializada é o que mais importa.

Não existem relacionamentos duradouros. Como já diziam os Tribalistas, "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem!". Todos são orientados a terem vários parceiros, e aqueles que não obedecem essa regra, ou mesmo a estranham, são escanteados. A promiscuidade é regra para todos. O romance de Huxley narra um futuro sem famílias, democracias, cristianismo ou arte.

E esta nova civilização, baseada em condicionamento, com frases e respostas prontas pra tudo, traz também um personagem presente em quase todas as situações e acontecimentos da história: o SOMA, uma espécie de droga que serve como ponto de fuga para os problemas, angústias, anseios, tristezas, enfim, as coisas sentimentais da vida pessoal. Qualquer dúvida e incerteza é rapidamente aplacada com o consumo dessa "pílula da felicidade instantânea", sem efeitos colaterais e perfeita, vindo na dose certa para o seu problema. Há um curto intervalo de tempo entre o desejo e sua satisfação.

A trama se desenvolve quando Bernard se sente incomodado com sua posição e em uma viagem de "turismo", vai conhecer a Reserva dos Selvagens, onde "tribos" de indivíduos ainda vivem segundo os tempos antigos. As pessoas envelhecem; não existem as cirurgias de embelezamento; os laços familiares são presentes; fica-se feliz, mas também ficar triste é normal, e ninguém precisa recorrer ao SOMA; as mulheres cumprem sua função de reprodutoras e os bebês realmente nascem lá; ainda se pode falar do passado, aliás, deve-se falar e aprender com o passado.

Lá, Bernard conhece Linda, uma mulher que se perdeu havia muito tempo lá e já se acostumara a viver como eles, e seu filho John. Bernard resolve levá-los para a "civilização" pra mostrá-los como era algo maravilhoso! Mas não deu muito certo. Linda passou a viver mergulhada no SOMA, até vir a falecer, enquanto o John, tratado sempre como "Selvagem", passa a trazer fama a Bernard, que o exibia como se fazem com os animais no circo. E as pessoas queriam ver. Como era um selvagem? Como seria alguém que vivia lá fora? Tão longe do que é "certo"?

Mas John não consegue se acostumar com tudo aquilo. Tem algo errado! Onde estão as vontades? Os desejos? As lágrimas? As gargalhadas? As lutas? E as conquistas? Quando esse povo civilizado deixou de ser humano? E John resume tudo em um incrível diálogo no final do livro:

"Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado [...] reclamo o direito de ser infeliz!"


Admirável Mundo Novo é um clássico sobre o controle, o futuro e a liberdade, e é de se impressionar que uma ficção publicada em 1932 em tão pouco tempo beira à realidade. Quais são os SOMAs dos nossos dias? E o processo de alienação, com a televisão, cinema, músicas ou revistas? E a nossa cultura fast-food, buscando sempre prazeres imediatos? Nos dizem o que vestir, com quem andar, o que falar, o que assistir, o que comer, moldamos nossos corpos, casamos e descasamos, transamos sem nem perguntar o nome e nossa concepção de amor se resume às comédias românticas. E o pior: não nos incomodamos! Estamos acostumados. Cauterizados.

Levantemos! Façamos alguma coisa. Sejamos sustentáveis. Sejamos gentis. Valorizemos nossos pais. Valorizemos bons livros. Arte. Poesia. Vamos a museus e galerias. Vamos, de fato, buscar conhecer a pessoa que beijamos. Casamento é coisa séria! Chorar e cair, mas levantar e conquistar o direito de poder rir de novo! Talvez a sociedade utópica criada por Huxley não seja mais tão utópica assim. E aí? O que você tem feito? Vai se acostumar com o SOMA, ou gritar por LIBERDADE?

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça..."


Domingo, 13h. No meio de uma grande avenida em Fortaleza, Ceará, um entregador de panfletos (daqueles que ficam no sinal) estava estendido no chão, logo após ter sido atropelado por uma picape que entrou onde não devia, por dizer que no domingo "é mais tranquilo" e dava pra fazer aquilo...isso, com um sol de rachar e panfletos voando...E eu estava indo almoçar em um restaurante próximo quando vi a cena. QUE RAIVA! É um sentimento que me toma, me dá vontade de ir até o motorista petulante do carro e passar com o carro dele por cima! Por que ele acha que pode fazer o que quer? Por que muitos de nós o achamos? Não é assim muitas vezes no trânsito? E com as nossas finanças? E nos relacionamentos? Quem nos disse que somos especiais? Melhores do que os outros? É por pagarmos um IPVA mais caro, é?

Quando me veio aquela raiva e eu imaginei várias cenas grotescas na minha cabeça, consegui me controlar e tirar alguma lição daquilo. Existem formas e formas de se manifestar. De querer "fazer a diferença". Posso sair esmurrando tudo e todos ou posso encontrar uma alternativa mais saudável e mais duradoura de protesto. Já vimos os que passam fome em protesto; vão às ruas; xingam; panfletam. largam o carro e vão de bicicleta; pregam cartazes, etc. A questão aqui é: de que forma você tem procurado lidar com as coisas que te angustiam? Tomemos o vídeo que postei no começo. Quando paramos pra pensar, não faz sentido? Agora, vamos agir. Não só compartilhar, mas no mínimo constranger a pessoa que você vê que parou na vaga de deficientes ou idosos...

Vemos no Facebook todas as manifestações sobre os professores, ou os políticos, ou correntes de email sobre crianças que precisam de dinheiro pra alguma cirurgia impossível e nós vamos compartilhando, encaminhando, e só. Vamos nos levantar, fazer a diferença, aproveitar nosso potencial, nossos contatos, pegar o que nos traz angustia e transformar em um catalizador. Levantar a bandeira de algo que você, de fato, vista a camisa.
"Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça..." (Mateus 5.6) e não ficam só olhando as coisas acontecerem. Tenho certeza que tem uma boa obra bem ai do seu lado, com seu nome escrito, pronta pra ser realizada por você. E como dizia Amaury Fontenele: "Mas fazê o quê? Tem tanta coisa errada, mas fazê o quê?! Descruzar os braços só pra começar..."

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Trechos do Diário - "da pizza ao maffet..."

Quando estava no seminário preparativo para a África, dentre outras coisas, a nossa alimentação era, de certa forma, bem controlada. No nosso almoço, por exemplo, os homens só podiam comer 350g e as mulheres, 300g. Não que fossemos passar fome na África, mas porque seria bem menos farto e diversificado e, como estávamos em um treinamento, precisávamos nos acostumar. Então, nada de guloseimas, lasanhas, sorvetes, calzones, pizzas, tortas, etc. Era bem controlado (essa questão da alimentação, por sinal, foi algo especialmente difícil. Algumas vezes, com fome, me pegava imaginando mordendo um misto quente e puxando o queijo que vinha entre os dentes, enquanto salivava...).

Enfim, em setembro de 2005, no meu aniversário de 19 anos, meus pais foram me visitar no seminário e aí eles conseguiram furar alguns "cercos" e mesmo quebrar algumas regras na época e levaram não só eu, mas os meus outros amigos Radicais (15 pessoas) para sair. Onde? Pra um rodízio de pizzas!! Meu Deus! Como ficamos felizes!! E que presente aquele! Matar a saudade dos pais e, ao mesmo tempo, matar a saudade de comer pizzas!!

Tempos depois, eu já estava no Senegal há quase 2 anos, meus pais foram me visitar de novo. Viram um Diogo diferente, fisicamente, espiritualmente, psicologicamente, cognitivamente... (os detalhes dessa visita eu conto no meu livro que está em "fase de construção"...). E ao levá-los para a aldeia, pedi para as mulheres fazerem o Maffet ("grosso modo", pedaços de carne no molho de amendoim, banhando o arroz com batatas). Pra mim, de longe, era o melhor prato que eu comia lá! Negócio de festa! Maravilhoso! Eu, literalmente, lambia todos os dedos ao final da refeição! E eu queia oferecer isso aos meus pais e minha irmã. Pra quê?

E aqui vai mais um lembrete que aprendi na "marra": valorizar cada fatia de cada coisa que se come! Não desperdiçar. Não exagerar. Lembrar do outro não é necessariamente passar fome com o outro, mas comer reconhecendo a benção que é cada mordida, cada gole, cada mastigada e ser mordomo disso, cuidar daquilo que se tem e, podendo, compartilhar também.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Dia mundial sem carro


22 de setembro. Dia mundial sem carro.

O Dia Mundial Sem Carro é um movimento que começou em algumas cidades da Europa nos últimos anos do século 20, e desde então vem se espalhando pelo mundo, ganhando a cada edição mais adesões nos cinco continentes. Trata-se de um manifesto/reflexão sobre os gigantescos problemas causados pelo uso intenso de automóveis como forma de deslocamento, sobretudo nos grandes centros urbanos, e um convite ao uso de meios de transporte sustentáveis - entre os quais se destaca a bicicleta.


A bicicleta é um excelente meio de transporte, sobretudo para pequenas distâncias. Leva seu condutor de porta em porta, permite a prática de uma atividade física simultânea ao deslocamento, tem custo baixíssimo e é minimamente afetada por engarrafamentos. Mesmo numa cidade de relevo acidentado como Belo Horizonte, a atual tecnologia de marchas permite a circulação por ruas inclinadas com relativa facilidade. Muitas pessoas têm percebido isso e o número de ciclistas nas cidades tem aumentado visivelmente.*


Enfim, ande, vá de bike, de ônibus, jangada, helicóptero, jegue, avião, disco voador, sei lá, mas por favor, curta a paisagem, sorria para as pessoas, sinta o vento no rosto, utilize caminhos diferentes e tente não ir de carro. Se não dá, que tal um pouco de consciência coletiva? Caronas, por exemplo? Muita gente mora perto de você, ou mesmo no prédio, e vão, às vezes, para os mesmos lugares. É tudo uma questão de zona de conforto...


Só um dia pode não ser nada. Ou pode ser o começo para uma grande mudança. Eu tô fazendo a minha parte. E você? E só para fechar com chave de ouro, as fotos abaixo foram feitas na cidade de Müster, na Alemanha e mostra um grupo de 54 pessoas (uma sala de aula da Unifor, por exemplo...) e o espaço que elas ocupariam de carro, a pé ou de bike. Acho que dá pra chocar, né?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Trechos do Diário (2): ensino em Sinthiouroudji

Morei 3 anos no Senegal, mais precisamente em uma aldeia no extremos sul do país chamada Sintiouroudji. Certa vez estava passando próximo a uma pequena escola (as escolas nas aldeias, normalmente, são todas feitas de palha sustentada por bambus) e, ao ouvir o professor fazer uma pergunta para a classe, fiquei espantado ao ver que todos os alunos se prontificaram para responder.

Uau! Esse professor deve ser muito bom. Que sensação gostosa e que satisfação de poder ter toda a classe assim, tão "ávida" por conhecimento! E assim, em uma dessas vezes em que passava por perto, decidi, com a permissão do professor (seu nome era Mr. Ndiay), entrar e assistir um pouco da aula.

Logo entendi tudo! Ele dava aula com um pedaço de pau na mão. Ao fazer uma pergunta, quem não quisesse responder seria por não saber logo, apanharia. E quem levantasse o braço para responder e respondesse errado, apanharia também. Solução das crianças para apanhar menos? Todos levantam o braço na esperança de não serem chamados...

Obviamente não foi fácil pra mim ver aquilo. As crianças levando pauladas no rosto, chorando enquanto voltavam para seus lugares. Minha primeira reação foi levantar e abordar o professor com certa autoridade até, mas para ele, aquilo era algo perfeitamente normal. Pensei logo nos pais. Como reagiriam se soubessem? Será que eles não se juntavam para resolver esse tipo de coisa e eles mesmos dessem uma surra no Mr. Ndiay, de preferência com o mesmo pedaço de pau que ele batia nos filhos deles?!

Mas aí eu descobri que existem barreiras culturais. Até certo ponto consigo e devo "interferir" em uma outra cultura e aquilo para eles, seja para o Mr Ndiay (e todos os outros professores), para as crianças (sim, elas eram acostumadas. Na verdade, só paravam depois de apanharem) ou para os pais (certa vez os pais me deram um pedaço de pau para acalmar os filhos deles que estavam muito bagunceiros enquanto eu os ensinava em uma escolinha de basquete...). Enfim, para o contexto daquela região, era perfeitamente normal! Mas vai fazer isso aqui no Brasil...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Estranhamento de si mesmo...


No meu aniversário de 19 anos, meu primeiro fora de casa, estava deitado no andar de baixo da beliche do seminário, com a cama rangendo e se mexendo toda a cada virada do baiano de 2m que dormia na cama de cima, peguei meu discman (ainda existia isso!) e, ao som de Switch Foot, tive minha primeira experiência de "estranhamento" de mim mesmo.

Tinha sido um dia interessante, com os parabéns e coisas parecidas, algumas ligações (agora bem reduzidas, já que eu não poderia ter celular e nem dava pra ficar esperando me ligarem ao lado de um orelhão..), um presentinho ou outro, cartas, etc. O que acontece é que, no final de tudo, quando deitei, pela primeira vez pensei em que eu era. Não aquela coisa filosófica, de "quem sou eu, quem eu sou", mas algo ingênuo, até, mas muito sincero. 

Nesses 19 anos, quem o Diogo tinha sido? Pra ele mesmo? Pras pessoas ao redor? Que tipo de cristão? De filho? De irmão? De amigo? De namorado? De companheiro? De confidente? De servo? De estudante? De esportista? De companhia? E a lista pode continuar por aí... não sei quantos fazem isso, mas eu aprendi a importância de fazer essa "revisão" da vida ao menos essa vez, bem no aniversário, rever algumas coisas, repensar em outras, relacionamentos, sonhos, planos, realizações...não como aqueles votos de ano novo, com as roupas brancas, como folhas prontas a serem reescritas, pra ver se faremos certo dessa vez. Nada de idias utópicas ou coisa assim. Simplesmente eu olhava pra mim? Sabe quando o Maximus fala no Gladiador: "O que fazemos em vida, ecoa pela eternidade"? 

O que realizei nesse último ano? O que tenho construído? Que relacionamentos tenho cultivado? Que valores tenho buscado? De vez em quando é bom dar uma parada, por menor que seja, antes que a gente ande muito rápido pra enxergar alguns detalhes fundamentais. Colocar uma cadeira do lado de fora, colocar uma musiquinha e se permitir "estranhar-se um pouco". Por que não?

"Quero poder dizer, no final da minha vida, combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé!" II Timóteo 4.7

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Trechos do Diário - "crianças na lua"

Como muitos sabem, vivi um tempo na África. Mais precisamente, no Senegal. Mais precisamente ainda, no "reino" de Sinthiouroudji. Se quiser ver um pouco do contexto, dá uma olhada em algumas fotos: No Reino de Sinthiouroudji
E a ideia aqui é colocar algumas "notas culturais", coisas que vi, vivenciei, escrevi nos meus diários, etc..
E, pra começar, uma pequena nota sobre as noites de lua cheia na aldeia, direto do meu diário:

Sinthiouroudji - 29/03/07,
"Uma coisa interessante é como as crianças se divertem com pouco...não tem nada e daí qualquer coisa pode virar um presente, seja um band-aid (ainda vou contar essa aqui...), uma caneta, um remédio, pedaço de papel, etc...Mas tem uma coisa que as diverte mesmo é a lua. Chamo de "dança da lua" que, na verdade, não é só dança. Simplesmente, quando a lua está cheia, tudo fica bem claro (e não tem prédios, carros ou luzes pra ofuscar...), todas as crianças e adolescentes da aldeia saem e ficam juntas.


As meninas, normalmente, dançam. Os mais novos ficam correndo, fazendo "pega-pega", lutando, rolando no chão e, sobretudo, pertubando as meninas que dançam. Os meninos mais velhos ficam sentados em um pedaço de tronco de árvore morta, às vezes fazem fogueira, cantam, tomam chá...é bem legal, bem africano. Na verdade, fico me sentindo em um filme quando vejo isso. E eles ficam lá até 3h ou 4h da manhã. 


Mas também, pudera: essa crianças nascem nesse contexto, sem água encanada, sem energia, sem interruptores, computadores, tomadas, celulares, brinquedos... e a lua chega pra dar um pouquinho de cor a esse mundo preto e branco. E a gente fica junto, dançando ao redor de uma fogueira (ou só de um pouquinho brasa mesmo), eles cantando e eu tentando aprender cada palavra...


E aqui aprendo a valorizar algo que não valorizava tanto: a luz do luar".

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Livro: Um Dia


Namoro à distância. Por pior que seja, por mais maluco que você vá me chamar, mas eu namoro à distância há quase 1 ano e tem sido maravilhoso! A Mari é tudo o que eu havia pedido a Deus e um pouquinho mais. E, mesmo que sejamos "feitos um para o outro", temos que dar um jeito de driblar a distância, certo? E um desses jeitos é ler. Isso, lemos juntos. O mesmo livro. Ela lá em São Luis e eu aqui em Fortaleza. Daí, de quando em vez, trocamos uma mensagem ou outra, comentamos o livro, dizemos impressões, etc...e isso deixa o namoro um pouco menos distante, menos "virtual"(e isso me lembra que eu devo fazer um post sobre Namoro à Distância, pra você que passa por isso, já passou - e é traumatizado(a) -, ou só tem preconceito mesmo). Agora, por que estou falando disso?

Por que o livro dessa semana no Poeira é o "Um Dia" e foi o último que lemos. E, como estou meio romântico ultimamente, carente e etc, decidi colocar aqui um pouco dele. Um romance romântico. "Vinte anos, duas pessoas, um dia". Muito bom mesmo! Se você tem preconceito com romances românticos, ou acha que psicólogo só pode ler livros de Psicologia, pastor, de Teologia e fãs do Restart, Crepúsculo, é bom rever seus conceitos!

Enfim, dá uma passadinha na Li um dia desses... e veja por que recomendo esse livro!