quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Deus de bolso...e cristãos de carteirinha.


Aos que se dizem CRISTÃOS, um pequeno desabafo:

Será que muitas vezes não queremos Deus só até onde nós "curtimos"? Será que não esperamos de Deus só o que nos agrada ou faz sentido pra nossa cabeça? Será que, às vezes, não fazemos dEle um "Deus de bolso", onde sabemos onde Ele está, como usá-Lo, quando usá-Lo, etc?! Será que Ele não tem muuuuito mais?

Chega de ser cristão só de "carteirinha". Chega de viver Deus só entre 4 paredes, esquecendo do campo, que está branco, só esperando!! Chega de ser MORNO! Chega de ficar ridicularizando o evangelho com atitudes insensatas e carnais! Que tipo de cristãos temos sido nós, que não brilham, não são sal, não fazem a diferença?! Está na hora de sermos o que Deus nos chama pra ser!

Assim você, cristão verdadeiro, não santo ou "certinho", mas que busca no alvo certo, que quer ser guiado pelo Senhor, que entende que temos um papel a cumprir, por favor, BRILHE! Seja benção! Grite o evangelho com a sua vida! E não só na sua faculdade, colégio, trabalho, sua casa ou no meio da rua, mas na igreja também! Que o amor que temos uns pelos outros mostre que somos discípulos do Senhor (João 13.35). Pense em Neemias, José, Paulo, Daniel, Josué e tantos outros...e tenha força para pedalar na contramão, sabendo que "não somos nós que controlamos o nosso guidão"! - (pra citar o Crombie)

E aí, talvez, só talvez, a gente possa dizer como como Paulo: "combatemos o bom combate, completamos a corrida, guardamos a fé!". 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Admirável Mundo Novo - nem tão distante assim


"Les utopies apparaissent comme bien plus réalisables qu'on ne le croyait autrefois. Comment éviter leurs réalisation définitive?"

Essa citação de Nicolas Berdiaeff dá um bom início do que podemos esperar do romance de Aldous Huxley. Uma utopia que, afinal de contas, nem o é tanto assim, pouco tempo depois.

O ano é 632 d. F., depois de Ford. Nessa sociedade, todos vivem sob o imperativo da felicidade. São divididos em castas: Alfas, Betas, Gamas, Deltas e Ípsilons. As duas primeiras, compostas de indivíduos únicos, mas as restantes passam por um processo que divide seus embriões e produz cerca de oitenta pessoas iguais. Tudo isso pra que, trabalhando juntos, haja um sentido de identidade entre eles. Aliás, esse nascimento e criação dos indivíduos é bastante detalhado no livro; esses processos que servem como base para a "geração" da nova sociedade, onde o sentimentalismo é deixado de lado e as técnicas e vida especializada é o que mais importa.

Não existem relacionamentos duradouros. Como já diziam os Tribalistas, "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem!". Todos são orientados a terem vários parceiros, e aqueles que não obedecem essa regra, ou mesmo a estranham, são escanteados. A promiscuidade é regra para todos. O romance de Huxley narra um futuro sem famílias, democracias, cristianismo ou arte.

E esta nova civilização, baseada em condicionamento, com frases e respostas prontas pra tudo, traz também um personagem presente em quase todas as situações e acontecimentos da história: o SOMA, uma espécie de droga que serve como ponto de fuga para os problemas, angústias, anseios, tristezas, enfim, as coisas sentimentais da vida pessoal. Qualquer dúvida e incerteza é rapidamente aplacada com o consumo dessa "pílula da felicidade instantânea", sem efeitos colaterais e perfeita, vindo na dose certa para o seu problema. Há um curto intervalo de tempo entre o desejo e sua satisfação.

A trama se desenvolve quando Bernard se sente incomodado com sua posição e em uma viagem de "turismo", vai conhecer a Reserva dos Selvagens, onde "tribos" de indivíduos ainda vivem segundo os tempos antigos. As pessoas envelhecem; não existem as cirurgias de embelezamento; os laços familiares são presentes; fica-se feliz, mas também ficar triste é normal, e ninguém precisa recorrer ao SOMA; as mulheres cumprem sua função de reprodutoras e os bebês realmente nascem lá; ainda se pode falar do passado, aliás, deve-se falar e aprender com o passado.

Lá, Bernard conhece Linda, uma mulher que se perdeu havia muito tempo lá e já se acostumara a viver como eles, e seu filho John. Bernard resolve levá-los para a "civilização" pra mostrá-los como era algo maravilhoso! Mas não deu muito certo. Linda passou a viver mergulhada no SOMA, até vir a falecer, enquanto o John, tratado sempre como "Selvagem", passa a trazer fama a Bernard, que o exibia como se fazem com os animais no circo. E as pessoas queriam ver. Como era um selvagem? Como seria alguém que vivia lá fora? Tão longe do que é "certo"?

Mas John não consegue se acostumar com tudo aquilo. Tem algo errado! Onde estão as vontades? Os desejos? As lágrimas? As gargalhadas? As lutas? E as conquistas? Quando esse povo civilizado deixou de ser humano? E John resume tudo em um incrível diálogo no final do livro:

"Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado [...] reclamo o direito de ser infeliz!"


Admirável Mundo Novo é um clássico sobre o controle, o futuro e a liberdade, e é de se impressionar que uma ficção publicada em 1932 em tão pouco tempo beira à realidade. Quais são os SOMAs dos nossos dias? E o processo de alienação, com a televisão, cinema, músicas ou revistas? E a nossa cultura fast-food, buscando sempre prazeres imediatos? Nos dizem o que vestir, com quem andar, o que falar, o que assistir, o que comer, moldamos nossos corpos, casamos e descasamos, transamos sem nem perguntar o nome e nossa concepção de amor se resume às comédias românticas. E o pior: não nos incomodamos! Estamos acostumados. Cauterizados.

Levantemos! Façamos alguma coisa. Sejamos sustentáveis. Sejamos gentis. Valorizemos nossos pais. Valorizemos bons livros. Arte. Poesia. Vamos a museus e galerias. Vamos, de fato, buscar conhecer a pessoa que beijamos. Casamento é coisa séria! Chorar e cair, mas levantar e conquistar o direito de poder rir de novo! Talvez a sociedade utópica criada por Huxley não seja mais tão utópica assim. E aí? O que você tem feito? Vai se acostumar com o SOMA, ou gritar por LIBERDADE?