terça-feira, 25 de outubro de 2011

Trechos do Diário - "da pizza ao maffet..."

Quando estava no seminário preparativo para a África, dentre outras coisas, a nossa alimentação era, de certa forma, bem controlada. No nosso almoço, por exemplo, os homens só podiam comer 350g e as mulheres, 300g. Não que fossemos passar fome na África, mas porque seria bem menos farto e diversificado e, como estávamos em um treinamento, precisávamos nos acostumar. Então, nada de guloseimas, lasanhas, sorvetes, calzones, pizzas, tortas, etc. Era bem controlado (essa questão da alimentação, por sinal, foi algo especialmente difícil. Algumas vezes, com fome, me pegava imaginando mordendo um misto quente e puxando o queijo que vinha entre os dentes, enquanto salivava...).

Enfim, em setembro de 2005, no meu aniversário de 19 anos, meus pais foram me visitar no seminário e aí eles conseguiram furar alguns "cercos" e mesmo quebrar algumas regras na época e levaram não só eu, mas os meus outros amigos Radicais (15 pessoas) para sair. Onde? Pra um rodízio de pizzas!! Meu Deus! Como ficamos felizes!! E que presente aquele! Matar a saudade dos pais e, ao mesmo tempo, matar a saudade de comer pizzas!!

Tempos depois, eu já estava no Senegal há quase 2 anos, meus pais foram me visitar de novo. Viram um Diogo diferente, fisicamente, espiritualmente, psicologicamente, cognitivamente... (os detalhes dessa visita eu conto no meu livro que está em "fase de construção"...). E ao levá-los para a aldeia, pedi para as mulheres fazerem o Maffet ("grosso modo", pedaços de carne no molho de amendoim, banhando o arroz com batatas). Pra mim, de longe, era o melhor prato que eu comia lá! Negócio de festa! Maravilhoso! Eu, literalmente, lambia todos os dedos ao final da refeição! E eu queia oferecer isso aos meus pais e minha irmã. Pra quê?

E aqui vai mais um lembrete que aprendi na "marra": valorizar cada fatia de cada coisa que se come! Não desperdiçar. Não exagerar. Lembrar do outro não é necessariamente passar fome com o outro, mas comer reconhecendo a benção que é cada mordida, cada gole, cada mastigada e ser mordomo disso, cuidar daquilo que se tem e, podendo, compartilhar também.

3 comentários:

  1. AEE, voltou!!! ja tava com saudade dos posts!! :p hehe

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  2. Eu também amo o Maffet! Tenho saudades dessa comida Diogo...Assim como sinto saudade de muitas coisas do Senegal. Legal suas palavras e saber que está escrevendo seu livro. Que Deus lhe abençoe todos os dias. Neuza

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  3. Com você passei a perceber os "mimos"(expressão usada por você) que Deus nos dá diariamente. Nos acostumamos com tudo o que temos e não paramos pra pensar o quanto recebemos sem merecer. Que sejamos gratos a Ele por tudo. Rosaura Bessa

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